Se a gente pensar que a A Lenda de Bewoulf (Beowulf, EUA 2007) é a história mais antiga escrita na língua inglesa e serviu de inspiração para J.R.R Tolkien escrever O Senhor dos Anéis, o mínimo que se espera é de uma história tão ou mais épica da que a Tolkien criou. Imagino, aliás, que seja — nunca li, nem original, nem tradução. Mas se a gente depender do filme para ter esse tipo de impressão…
Pra início de conversa, ele é muito curto. Uma hora e cinqüenta três minutos pra um tal de épico não dá. Na minha concepção, tem que mostrar uma porrada de coisa, com tretas homéricas, diálogos importantes… Não. É “pá-pum”. Quando ele narra uma competição de nado, na qual enfrentou monstros marinhos — que a gente já viu em vídeos, diga-se de passagem, ao invés de gastar uns 20 minutos contando isso, demora menos de cinco.
Terem feito o filme todo digitalmente, com os atores apenas gravando os movimentos, teoricamente deveria facilitar esse tipo de coisa. Aí não sei se o dinheiro não daria e resolveram dar um corte ou a maldição do PG-13 não fez com que Robert Zemeckis conseguisse levar Beowulf e toda a sua importância para o cinema. Às vezes, dava a impressão que, se um personagem não aparecia muito ou não era tão importante, não trabalharam muito nele. A mãe do Grendel, uma Angelina Jolie idealmente gostosa, às vezes parecia ter sido animada há 15 anos atrás. A cabine de imprensa aqui em São Paulo teve exibição digital em 3D. Então, detalhes assim saltavam muito mais aos olhos… O que é uma pena. Pena também não ser possível legendas em filmes 3D. Ter de ouvir o Beowulf gritando com sotaque carioca não deu muito certo. Mas, pelo menos, digitalmente, ele estava fodão (Grendel e o Rei também). Um herói tem que ser assim. Não pode perder a dignidade em cenas no melhor estilo Austin Powers… Certo? PENA que isso não acontece.
Sabe aquelas cenas em que o Austin aparece pelado e TUDO, de um jeito todo brincalhão, é usado pra esconder o berimbelo dele? Same here. COM BEOWULF! Não dá. O cara quer lutar pelado pra ficar de igual pra igual com o Monstro, ótimo. Deixem-no ser assim. Mas, pelo amor de Shiloh, não façam esse tipo de brincadeira.
E eu nem vou reclamar de algumas piadinhas do filme porque não sei se no poema acontece da mesma maneira. Mas que me soaram extremamente mal colocadas…
Beowulf não é de todo ruim. O problema é que esses probleminhas me decepcionaram. Fui esperando sair do cinema assaz empolgado em gritar “I AM BEOWULF”, assim como estava todo meninão pra gritar “THIS IS SPARTA!”. A única coisa que conseguiu me empolgar, não entanto, foi o corpo digital da Jolie. E, pra um filme épico baseado numa história de tanta importância, definitivamente, isso não é bom. Uma pena.
