Quando eu era apenas um obeso pequenino, me lembro que as únicas coisas que faziam minha santa mãezinha dar risada, além de um filme antigaço chamado As Loucas Aventuras do Rabib Jacob, eram as aparições esporádicas do Mr. Bean no Fantástico, ou em outro lugar que eu não faço idéia de onde era. =D

Ela parava o que estivesse fazendo pra assistir ao inglesinho, supostamente mudo, fazendo suas caretas e se estrepando com situações comuns, um tipo de comédia que a gente não vê mais, hoje em dia. A sutileza do humor deu lugar pra peidos, bundas, peitos, palavrões e coisas parecidas… Não que eu não goste disso, longe de mim. Eu sou o único aqui da redação que dá nota boa pra comédias como Gigolô Europeu Por Acidente, lembram? =D

Pois bem. As Férias do Mr. Bean (Mr. Bean´s Holiday, Reino Unido 2007) é um filme que baseia sua essência na incapacidade (ou diria falta de necessidade?) do personagem principal em se comunicar com outras pessoas. Na história, o Sr. Feijão (TM Borbs) ganha um prêmio, numa rifa da Igreja: uma viagem para o Festival de Cinema de Cannes. Então, ele deve ir até a França, pra aproveitar seu presente. Agora, como é que ele vai fazer pra chegar lá e as coisas que acontecerão pelo caminho… TCHANÃ! Taí toda a graça do filme.

Eu poderia dizer que esse é um dos melhores filmes-mudo da história, se não tivéssemos que ouvir um ou outro diálogo. Como eu disse ali em cima, a falta de palavras não faz a MENOR diferença. Aliás, posso até dizer que, se comparado com seu predecessor, o primeiro filme do inglês da sobrancelha grossa, esse aqui não tem quase NENHUMA fala. Sei lá se mudaram um pouco o anterior pra que o personagem “fizesse sucesso fora do seu território”, se foi pra agradar o maldito público estadunidense…

Voltemos pro filme: sem querer, tentando chegar no país da Torre Eiffel, Bean acaba separando um jurado russo de seu filho, um moleque todo espertalhão. Enquanto tenta dar um jeito de juntar os dois (e não ser confundido com um seqüestrador), ele acaba se encontrando com uma jovem atriz (a FROXO Emma de Caunes) e se embolando na produção de um comercial, comandado pelo diretor Carson Clay (o duende Willem Dafoe).

Eu poderia descrever aqui uma porrada de cenas que me fizeram rir assaz, mas acho que isso pode atrapalhar um pouco a divertidíssima experiência que é assistir a esse filme. O que você tem que ter em mente é o seguinte: a comédia não é daquelas pra você sair com a barriga doendo do cinema, se você já não curte ou conhece o personagem principal OU o tipo de humor que ele “defende”.

Não resisti, vá: o que é o truta comendo os fruits de mér? E a cena onde ele imita a soprano? Somando essas a todas as outras pequenas gags que acontecem durante a projeção, e o final que é do Carvalho, temos um filme que diverte porque soube aproveitar o personagem em toda sua essência.

É uma pena ENORME saber que Rowan Atkinson não vai mais interpretar o Sr. Feijão, como a gente noticiou aqui no Judão. Vendo que, agora, ele acertou a mão em como fazer filmes do Mr. Bean, é realmente de se fazer escorrer uma lágrima na bochecha esquerda.

Agora é hora, amiguinhos: Judão RECOMENDA! que você vá aos cinemas ou, no mínimo, alugue o filme quando ele for pras locadoras. Esse tipo de humor está em falta… E vai ficar ainda mais. Aproveite enquanto é tempo! =D