As Melhores Coisas do Mundo
Sempre achei que o importante ao se escrever sobre um filme ou um disco é que isso fosse feito logo após ter escutado ou assistido o produto em questão. Hoje em dia não sei se isso é bom ou ruim, mas aprendi que algumas vezes só vamos gostar ou entender melhor o que “consumimos” um tempo depois. Dessa vez foi assim. Assisti a As Melhores Coisas do Mundo há três semanas e só agora decidi escrever.

O novo filme de Laís Bodanzky aborda as questões que a adolescência traz e seus problemas. O distanciamento temporal é bom, pois quando passada essa fase, achamos que nem eram problemas tão grandes assim. Ficamos oscilando entre a nostalgia e a subestimação.

“As Melhores Coisas…” mostra a vida de Mano no colégio, com os amigos, a descoberta sexual, as crises em casa e a dúvida de quem ele é e o que está fazendo aqui. A princípio incomoda o fato do filme apenas apresentar todo esse universo sem se posicionar perante ele. Ele não traz, necessariamente, uma resposta a essa fase tão complicada e fascinante, mas deixa que tiremos nossas próprias conclusões. Para isso, é necessário tempo (seja na vida, seja para pensar sobre o filme).

A ideia de reviver as emoções de um período tão mágico na vida, apesar de conturbado e meio maluco, é extraordinária e Laís não fica devendo nessa tarefa. Com uma trilha pop rock apresentada por artistas não tão conhecidos e, ao mesmo tempo, sendo o primeiro filme brasileiro a contar com uma música dos Beatles (Something), a construção dos personagens é bem executada e auxiliada pelo fato de todos já termos vivido algum aspecto apresentado. A condução desses personagens, juntamente com o contexto, não se perde e nem fica solta, já que toda a história é contada sob o ponto de vista de Mano e mesmo que vivendo diferentes conflitos, a questão é sempre a pessoal. Não importa o problema, é preciso encontrar um jeito de lidar com todos eles.

Para quem fica esperando respostas ou um posicionamento da diretora ao retratar a adolescência, o próprio título do filme já responde. Junte todos os problemas, medos, angústias, descobertas, aventuras, amores, brigas e sentimento de que aquilo será para sempre e temos um resultado: são mesmo as melhores coisas do mundo.