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sexta-feira, 4 de maio de 2007 | Atualizado em 01.01.08 às 19h48 Lost ZweigFilme brasileiro e totalmente “in english”
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Tayra Vasconcelos |
Na resenha de O Cheiro do Ralo eu comentei que fico muito feliz de ver o Cinema Brasileiro tomar outros rumos que não sejam falar de nossa história ou glamourizar a pobreza e os conflitos sociais. Lost Zweig se encaixa e ao mesmo tempo não se encaixa nessa abertura de leque.
Isso porque tem um enfoque diferente do que se espera (em geral) de um filme brasileiro, que é contar a última semana da vida do escritor austrÃaco Stefan Zweig (Rüdiger Vogler), autor do livro Brasil, PaÃs do Futuro e de sua mulher, Lotte (Ruth Rieser). Mas acaba tendo uma forte presença da Era Vargas, do terror da Segunda Guerra Mundial, além do fantasma do nazismo que persegue todos os refugiados de Hitler. E por isso o filme, embora seja diferente do que estamos habituados, acaba, de uma forma ou de outra, recaindo em uma temática que está presente na maior parte das produções nacionais.
Outro fato que marca muito o filme e que também o torna bem diferente, é que, apesar de nacional e de ter um grande número de atores brasileiros, é todinho falado em inglês, com uma frase ou outra em português, que estão soltas e chamam à atenção por serem exceção dentro do filme.
Logo depois do Carnaval de 1942, quando Zweig e Lotte se entusiasmaram com a alegria do povo Brasileiro com aquela festa, o casal se suicidou em Petrópolis. Nada dava indÃcios de que eles tomariam uma decisão como essa. E nessa semana que antecede o suicÃdio e o que pode ou não tê-los levado a optar por esse caminho, que o filme acontece.
Lost Zweig tem o ar de uma minissérie global, mas com menos atores da emissora, embora haja alguns presentes, como Daniel Dantas, Juan Alba, Odilon Wagner, Ana Carbatti, Kiko Mascarenhas, Soraya Ravenle, Ary Coslov e por aà vai. O elenco é primoroso e muito bem conduzido, o que faz, automaticamente, com que a direção de Sylvio Back também seja aplaudida. E um destaque aqui para o ator Renato Borghi, que interpreta o populista Getúlio Vargas. Ele está incrivelmente parecido com o verdadeiro, embora a primeira impressão seja de estranheza, uma vez que a semelhança fÃsica entre o ator e o presidente é bem pouca, mas ao longo do filme você vai notando como ele soube construir o personagem, e por conta dos trejeitos, da postura, da aura, acaba ficando totalmente igual ao nosso ditador suicida.
Além dele, Odilon Wagner está excelente no papel de rabino, porque além de ter aquela cara esteriotipada de judeu, está muito convincente como defensor da religião judaica e de seus princÃpios. E mostra o porquê de Zweig ter tido o aval dos judeus para ser enterrado no cemitério israelita mesmo sendo suicida, prática condenada nessa doutrina e que impossibilitada que a pessoa seja sepultada em solo sagrado. Ele alega que Zweig sempre foi um defensor e um “pregador” do judaÃsmo e que não seria seu último ato que apagaria tudo que ele fez ao longo da vida.
No filme Zweig ressalta que é impossÃvel se divertir com o carnaval brasileiro, sabendo que do outro lado do mundo, milhões de judeus estão sendo mortos naquele momento. E ele não consegue se desvincular e o tempo todo vê várias similaridades entre Vargas e Hitler.
Por aqui, o livro Brasil, PaÃs do Futuro acabou virando um best-seller graças a Vargas, que mandou comprar mais de cem mil exemplares do livros, para, com isso, ter poder de barganha sobre Zweig e chantageá-lo em relação à biografia de Santos Dumont, que o presidente queria que ele escrevesse e que o autor se negava a fazer.
Propondo uma troca, Zweig escreve a biografia e Vargas lhe dá os vistos que ele pretende obter para alguns companheiros judeus. E o autor fica arrasado diante dessa situação toda, se nega, remói e, contrariado, acaba cedendo a chantagem. Por conta disso, acaba, injustamente, sendo vinculado ao Governo Vargas e sua postura anti-semita.
Apesar de tudo, o filme, no fim das contas, tem vários defeitos. Por não ser linear, acaba se tornando confuso em determinados momentos. O espectador precisa ficar extremamente atento, porque a maneira como o filme foi editado não indica se é um flashback ou não, e por isso é necessário prestar atenção numa cena inteira para depois captar se ela faz parte do presente da história ou se é mais um flashback.
Vários artigos sobre Stefan Zweig fazem menção ao bissexualismo do autor, porém no filme isso fica tão no ar e quase implÃcito, pois a única cena que poderia denunciar essa faceta é breve e não tem repercussão na trama, o que te faz ficar na dúvida se o ato era fruto de um desejo ou de uma privação de sentidos por conta da bebedeira.
Um defeito bem grave: há muitÃssimo erro de revisão nas legendas, e isso é imperdoável, uma vez que é um filme brasileiro. Já que o diretor optou por fazer o filme todo em inglês (mesmo quando o diálogo é entre dois brasileiros conversando nas ruas), deveria ter dado uma atenção especial à s legendas. A quantidade de erros é absurda. Xeque-Mate com CH não dá…
Além disso o filme é longo, e não apenas por ter 114 minutos, mas por não ser tão dinâmico, o que faz com que fique massante e pareça ter, pelo menos, mais de duas horas e meia.
Com uma série de restrições Judão RECOMENDA, mas isso se você já tiver aproveitado pra conferir Homem Aranha 3 e todas as outras estréias das semanas anteriores, porque aà sim, na falta de coisa melhor pra ver, você poderá conferir esse filme sem ficar com raiva de ter gastado seu tempo pra ver a algum outro que lhe agradasse mais. =D
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Skroms Tayra, maçante com SS não dá… 13 de maio de 2007 às 11h03
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