
Durante os anos 80, a Warner buscou diversos meios para levar o Batman aos cinemas, provavelmente empolgados com a aceitação que o Superman recebeu do público após sua adaptação para a tela grande.
O primeiro roteiro foi finalizado em 83 e trazia além da origem do Batman e do Coringa, Dick Greyson, o Robin. Por alguns anos, o projeto circulou em Hollywood, sendo que nunca saia do chão. Esse roteiro foi reescrito 9 vezes e tinha um tom sombrio, mas a Warner não queria isso. Queria um filme com tom leve e fanfarrão como a série dos anos 60. Nomes como o de Bill Murray chegaram a ser cogitados para o papel de Bruce Wayne, e, pasmem, Eddie Murphy como Robin! Mas aí O Cavaleiro das Trevas, graphic novel escrita por Frank Miller foi lançada, fez um sucesso estrondoso e tirou essa idéia besta da cabeça dos figurões da Warner, que resolveram deixar o tom do filme o mais sério possível.
A contratação do Tim Burton, que até então só tinha tido sucesso com filmes como Os Fantasmas Se Divertem (BEETLEJUICE! BEETLEJUICE! BEETLEJUICE!) deixou todo mundo imaginando como o filme se sairia. Vários atores foram considerados para o papel de Bruce Wayne, como Mel Gibson, Dennis Quaid, Harrison Ford, Tom Selleck, Kevin Costner; para o Coringa pensaram em atores como Tim Curry, Willem Dafoe, James Woods e até David Bowie. No final das contas os papéis ficaram com Michael Keaton e o fodão Jack Nicholson. Fãs se revoltaram e enviaram milhares de cartas à Warner reclamando da escolha do Keaton como Batman, mas isso não adiantou em nada.
O filme começou a sua produção em outubro de 88 e, no mesmo ano, rolou uma greve dos roteiristas de Hollywood. Então, quando o roteirista Sam Hamm não poderia fazer nada com o roteiro, um pessoal da Warner deu uma mexida geral, limando o Robin da história. As filmagens não foram fáceis pro Tim Burton que deu a seguinte declaração sobre a sua experiência dirigindo o primeiro filme:
Foi uma tortura. O pior momento da minha vida.
Mesmo com esses problemas, um filme legal foi feito. Batman estreou em junho de 89.
Meses antes do lançamento, o símbolo do Homem-Morcego poderia ser visto em vários lugares, o que fez com que várias pessoas que não faziam idéia do lançamento do filme (Internet em 89?!) tivessem interesse no produto. Mesmo sob reclamações de fãs sobre o fato do Coringa ser o responsável pela morte dos pais do Bruce Wayne, o filme foi um sucesso, quebrando recordes na sua época e deixando a Warner feliz.
O filme tinha o que muitos fãs estavam esperando há tempos. Um Batman atormentado, com seus gadgets mais sóbrios, e não coisas como um “bat-escudo”, ou um “bat-repelente de tubarões”. E o repelente existe sim na série dos anos 60. =D
Outro atrativo era o Batmóvel, que era absurdamente estiloso, mas que na prática era inviável, pois tinha a mobilidade de uma limousine, e caçar bandidos de limosine não deve ser muito efetivo. Estiloso pra cacete, mas nada efetivo. =D
O Coringa do Jack Nicholson até o mês de julho de 2008 era considerado o Coringa definitivo no cinema. Na minha opinião o que eu vejo é o Jack Nicholson de cara pintada e sob o efeito de algum psicotrópico. Não é o Coringa, mas o Jack Nicholson versão chupeta da cabeça. =D
Durante todo o filme temos pequemos easter-eggs para nerds, como a participação do Harvey Dent, interpretado pelo Billy Dee “Lando Calrissian” Williams, e toda aquela folia louca. O final do filme era épico, com a silhueta do Batman e o bat-sinal iluminando os céus da noite gélida de Gotham.
Tudo isso mostrou que o Tim Burton era um diretor assaz interessante e que o Batman poderia ser um personagem com profundidade, e não um playboy fora de forma que se veste como uma malha e sai com um piazote de shorts fazendo POW, PAFF e KAPOW! por aí.=D
Esse também é o primeiro filme que eu lembro com clareza de ter assistido na minha vida. Ele é seguido por Bonitinha, Mas Ordinária, mas whatever. Me lembro que tinha uns 3 ou 4 anos e estava empolgado com filme, tinha acabado de ganhar uma fantasia de Batman. Me lembro de ter subido na mesa da cozinha, segurar a capinha de pano pros lados e pular de peito, pensando que ia planar como o Batimá. Nunca uma aterrisagem de peito no chão foi tão épica e dolorida quanto aquela. =D
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