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quinta-feira, 10 de abril de 2008 | Atualizado em 10.04.08 às 21h23 EstômagoVocê tem fome de quê?! =D
Raimundo Nonato (João Miguel) é um paraibano que chega a São Paulo com uma mão na frente e outra atrás pra tentar a vida por aqui. Sem dinheiro ele anda a pé da rodoviária por todo o Minhocão, a região do Pacaembu até cair num desses botecos pé-sujo, que vende ovo-colorido (Oi, Mó! =D). Como num tem nenhum centavo, ele pede apenas um copo de água da torneira, até que, morrendo de fome, pede as duas coxinhas (de péssima aparência por sinal) e as devora. Logo depois acaba cochilando no balcão, sendo acordado pelo dono do boteco, na hora em que já ia fechar o bar. Sem dinheiro pra pagar, Nonato fica pra limpar a cozinha e a louça, e acaba sendo empregado pelo Sr. Zulmiro, que o ensina a fazer coxinha, pastel etc. Com mão boa para cozinhar, Nonato faz com que o boteco de Seu Zulmiro fique conhecido por suas coxinhas. Uma das clientes do boteco é a prostituta Íria (Fabíula Nascimento), que pra alegria do Borbs, enfim, é a primeira gordinha a ser a “mocinha” de um filme nacional (e, conseqüentemente, aparecer pelada). Ela é uma comidófila (essa fui eu que inventei, mas o que eu quero dizer é que ela era tarada por comida, e tarada no sentido literal da palavra, uma vez que focava todo seu prazer na comida, muito mais do que no sexo), e acaba se envolvendo com Nonato, por conta de seu talento para a culinária. Paralelo a isso, ficamos sabendo que Nonato está preso — a chegada dele a São Paulo aparece como uma espécie de flash-back — e que precisa “mudar” de nome, uma vez que Raimundo Nonato não é nome de cadeia, e acaba optando por Nonato Canivete. A hora em que ele se apresenta para o pessoal da cela é uma das sensações. =D Na cadeia ele acaba conquistando o respeito dos poderosos e subindo na hierarquia justamente por conta de seu talento culinário. Já que ele sempre fala em temperos etc. acaba ficando conhecido como Alecrim. Ele fica chegadíssimo ao chefão da cadeia, Bujiu (Babu Santana), e chega a ser o único abaixo dele. Voltando à trama do boteco: um dos clientes fica inconformado com a qualidade das coxinhas de Nonato, e o chama pra trabalhar em seu restaurante, uma renomada cantina da cidade. Lá, Raimundo vai aprendendo todos os segredos da culinária requintada, além de passar a conhecer melhor sobre vinhos, sobremesas etc. E por conta de sua tara culinária, o relacionamento com Íria vai ficando cada vez mais sério, até que, Nonato, completamente apaixonado, pede a prostituta em casamento. A trama toda fica passeando entre os prazeres que a comida desperta nas pessoas — Bujiu fala que quando come uma comida boa, só falta gozar (”É melhor que boceta”), além de despertar uma certa ojeriza pela maneira que vemos alguns pratos serem preparados. O filme conta ainda com a participação do titã Paulo Miklos, na pele do chefão do crime, Etcetera, que por sinal é excelente — aliás, desde O Invasor ele vem mostrando que é um ótimo ator. Estômago é isso, sem trocadilho, um filme pra mexer com o nosso estômago, em todos os sentidos. E um dos melhores filmes que eu vi no Festival até agora — eu e o Borbs tivémos a honra de assistir a estréia mundial do filme, junto com o diretor, atores e a nata cultural carioca, e garantimos que, seja aqui no Festival do Rio, seja na Mostra Internacional de São Paulo, que vem aí, ou mesmo no circuito comercial, quando estrear, esse é um filme que, decididamente, você não deve perder. Judão RECOMENDA! e com louvor.
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