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quinta-feira, 27 de setembro de 2007 | Atualizado em 19.10.07 às 11h09 O Preço da CoragemOutro filme em que a atuação da protagonista nos ajuda a sentir mais e mais vergonha alheia de todos os (ou pelo menos boa parte dos) seres humanos
O único filme relacionado aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 que eu assisti foi Torres Gêmeas — por acaso, um dos piores e mais desnecessários filmes já feitos. Aquele patriotismo estadunidense falou mais alto que a razão do diretor e deu no que deu. Vôo United 93 eu não vi. E cheguei à conclusão que não tenho a mÃnima vontade, hoje. Imagino que, por mais emocionante que seja, o filme tenha como propósito principal mostrar que os passageiros foram heróis… E pronto. Legal, tá, mas nhé. Mas isso é o que eu imagino — um dia, quem sabe, eu assisto e mudo de opinião. Ou não.
O filme é baseado no livro homônimo de Mariane Pearl, jornalista francesa, casada com Daniel Pearl, estadunidense — o primeiro americano seqüestrado e degolado dessa guerra. Pensei que seria um daqueles dramalhões da mulher que perde o marido, misturado com o senso patriótico dos estadunidenses, que deixariam o filme nojento. Mas, não. MUITO pelo contrário. Uma ótima surpresa. O Preço da Coragem é mais um daqueles tÃtulos que não tem muita relação com o filme, porque eu não enxerguei ninguém pagando nada por ser corajoso. Deu pra perceber, sim, quão forte foi Mariane, que agüentou por um bom tempo a dúvida sobre a situação do seu marido e pai de seu filho — ela estava grávida de 5 meses, na época do seqüestro — sem fraquejar, sem chorar, lutando, junto com algumas autoridades Paquistanesas e Estadunidenses, além de outros amigos jornalistas, pra saber do paradeiro de “Danny”. Ainda assim, não é por isso que a direção do filme fica babando por ela, tentando mostrar que ela tem um “Mighty Heart”. A atuação de Angelina Jolie já deixa isso claro, sem que o filme tenha sequer a possibilidade de querer se perder por esse caminho. O foda de tudo é que, mais uma vez, dá aquela vontade de sair da Terra, ir pra outro Planeta, Universo, sei lá, e fingir que aqui não existe nada, por pura e simples vergonha alheia. É tudo (TUDO) feito por motivos tão estúpidos, baseado em argumentos fraquÃssimos que dá nojo saber que, apesar de tudo, eu ainda sou um ser humano — exatamente com esses todos que causam essas coisas coisas com os outros, sejam os estadunidenses, sejam os paquistaneses, afegãos, iraquianos, iranianos, norte-coreanos, israelenses, palestinos, brasileiros. Acho assaz válido que você assista a esse filme. Quem sabe, com mais pessoas sentindo esse tipo de raiva, a gente não começa logo a planejar uma colônia em algum outro planeta?
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