quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 | Atualizado em 22.02.08 às 0h54

Juno


BEM que podia ganhar o Oscar… O filme e a Ellen Page. =]

Thiago Borbolla

juno_critica.jpg
Por mais fã que eu seja da indústria Hollywoodiana dos filmes Pipoca, explodindo (literalmente, às vezes) em efeitos especiais, orçamento e entretenimento puro e simples, é impossível não se render a alguns filmes independentes — que, cada vez mais, escalam a minha lista de preferências cinematográficas. São filmes com roteiros “completos”, sem nenhuma fórmula mágica do sucesso e/ou pressão externa, cujo compromisso principal também é nos entreter, mas com uma história — e não com efeitos visuais ou coisas do tipo.

Foi especialmente por isso que eu me interessei por Juno, quando publiquei um trailer aqui no Judão. Já estava acompanhando comentários e notícias sobre a história da garota de 16 anos que engravida do amigo meio besta, mas foi depois desse vídeo que eu realmente passei a tê-lo na minha lista de “preciso assistir”. Parecia uma comediona e, sendo independente, esperava diálogos ácidos como os dos filmes do Kevin Smith. Por isso, mesmo sabendo sinopse e vendo trailer, quando assisti ao filme na cabine de imprensa, há quase um mês, acabei me surpreendendo. MUITO. E de um jeito perfeito.

Juno te deixa sim com sorrisos na cara. Mas não sorrisos por estar achando determinada situação engraçada. É um sorriso meio besta de, “Pô, que legal”. Sabe quando a gente vê uma criança brincando, por exemplo? Esse tipo de sorriso. A história não chega a ser profunda, mas também não é só “menina engravidou, vai dar pra adoção”. Envolve o turbilhão de emoções que uma garota de 16 anos passa ao descobrir que está grávida, que gosta do seu melhor amigo, que passa a conviver com um casal bizarro que vai adotar a sua criança, mas em nenhum momento tenta fazer algum tipo de julgamento a favor ou contra o aborto, à adoção, ao sexo sem camisinha… É apenas uma história, que poderia acontecer com você, com seu irmão, irmã, primo, prima… Se é que já não aconteceu. E veja bem, não estou falando apenas da gravidez. Ela é, na verdade, um pano de fundo pra mostrar diversas outras relações… O tal do amor, já ouviu falar?

Diablo Cody conseguiu colocar no papel personagens que, um a um, se completam de alguma maneira. A única fora da casinha é Vanessa (Jennifer Garner). Ela não se encaixa a ninguém… Nem mesmo ao marido, com o qual teoricamente forma um casal perfeito. Ela uma mulher amarga por não conseguir ter filhos, que trabalha das 08 a 17h, casada com Mark (Jason Bateman) um nerd, viciado em filmes de terror trash e compositor de jingles, que trabalha em casa… Nada a ver. O bebê da Juno (Ellen Page) deveria chegar e colocar tudo nos eixos… Mas expõe ainda mais, cada um dos dois. Os opostos realmente se atraem? A garota grávida, mais uma vez, é só um pano de fundo. Nessa relação, na relação dela com o Paulie Bleeker (Michael Cera, que quase não fala nada mas tem uma ótima atuação também), pai do moleque e melhor amigo da Juno, na relação dela com o Pai e a Madrasta (ÓTIMOS nos papéis e como casal), a irmã mais nova…

No entanto, Diablo Cody não é a única responsável por tudo isso. Se não fosse por Jason Reitman (que dirigiu também o divertidão Obrigado por Fumar), de nada adiantaria. Ele conseguiu mergulhar na idéia da roteirista e construiu os personagens do jeito que deveriam ser. Ou se não eram assim, não importa como eram, ficaram melhores. A escolha da trilha sonora, do início ao fim, também ajuda a montar o clima de filme leve, sensível, que só quer contar uma história de amor. Ou de amores… Nada mais do que isso.

E a Ellen Page? Pequenininha, 21 anos com cara de 13 e um talento imenso. Ela deixa aquela menina irresponsável, meio maluquinha, absolutamente apaixonante. Fica óbvio, ao menos para aqueles que querem um dia ter filhos, que ela seria uma mãe perfeita. Pensou em abortar, deu seu filho pra adoção? Estamos falando de uma garota de 16 anos, afinal. Mas a cena pós-nascimento, ainda no hospital, quando Paulie chega, mostra BEM quem aquela garota será no futuro. Mais uma vez, a gravidez foi só o pano de fundo pra mostrar como duas pessoas jovens, irresponsáveis e sem nenhum tipo de responsabilidade (é, são duas coisas diferentes, ao menos na minha cabeça!) conseguem amadurecer de uma hora pra outra… No caso de Vanessa e Mark, mostra também que o amadurecimento pode não significar exatamente “ser sério”.

Este não é um filme pra qualquer tipo de público. Tem que ter a cabeça um pouco mais aberta à diferenças (tanto do filme em si quando da história que ele trata). Mas creio que seja impossível não se apaixonar por Juno… O filme e a personagem. O mundo nerd ganhou mais três ídolos. =]

Juno
(Juno, EUA 2007)

Direção: Jason Reitman

Roteiro: Diablo Cody

Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Allison Janney, JK Simmons, Olivia Thirlby, Rainn Wilson, Jason Bateman, Jennifer Garner

Site Oficial: http://www.foxsearchlight.com/Juno/

Nota do JUDÃO

[ratings]

Comentários
Já são 29 sobre esse post -- até agora

  Diego

Opa quando der vou assistir com certeza, conheço a Ellen Page da serie Regenesis, e do filme Menina Má.com, a garota manda bem pra caramba.
Irei assiti-lo, e obrigado pela indicação

22 de fevereiro de 2008 às 1h25
  Nando

Concordo plenamente com o V aí em cima.

22 de fevereiro de 2008 às 1h51
  Barretão

Borbs, bela crítica!!!
Só reforço, pode até ganhar se os dois cachorros grandes dividirem votos, mas Senhores do Crime e o Across the Universe, por exemplo, são mais filme…
Eu adorei Juno! :)
E amei a trilha de paixão!

22 de fevereiro de 2008 às 2h06
  marcellus

Pô, eu tb achei Juno o filme mais foda dos que eu vi e que foram indicados ao Oscar. Mas não filme foda como eu acho que foi o Transformers, por exemplo, mas foda a ponto de vc sair do cinema querendo continuar vendo o filme por dias e mais dias sem se cansar!

Eu não acho que vá levar a estatueta, mas se fosse EU quem escolhia, ganhava. E ganhava fácil!

=D

22 de fevereiro de 2008 às 2h13
  Borbs

@Barretão
Thanx, man! Demorou, mas saiu. =D

Quanto ao Oscar… Não acho tb que Juno SEJA FILME de Oscar. Nem mesmo a Ellen Page seja ATRIZ DE OSCAR. Mas seria MUITO legal que levassem… Justamente por “não serem de Oscar”. =D

22 de fevereiro de 2008 às 2h29
  Barretão

@Borbs
Sabe o que me incomoda em Juno? A mina resolve que vai dar a criança pra adoção em .. 5 minutos. Sei lá, cara, minha irmã ficou grávida com a idade dela. É bem complicado decidir o que fazer com uma vida assim, pegando no PennySaver… fiquei meio pensativo sobre isso metade do filme. Pareceu “fácil” demais, sabe.

abs,

22 de fevereiro de 2008 às 2h45
  Withegg

A Marion Cotillard tá bem melhor que a Ellen Page, gostei da Page mas vou ficar puto se ela ganhar o Oscar

22 de fevereiro de 2008 às 2h59
  Borbs

@Barretão
Não sei quando foi que aconteceu com a sua irmã, mas digamos que tenha sido há 10 anos. MUITA coisa mudou.

É só ver a quantidade de menina de 10 anos que acha que é adulta, hoje em dia. Porra, eu dei meu primeiro beijo com 12 anos, todo envergonhado, leeeerdo… Hoje em dia o pessoal com 8, 9, 10 já tá deixando de ser “BV”.

Teoricamente foi rápido. Mas a personagem me parece ser impulsiva desde o início — quando resolveu fornecer pro moleque. Não me surpreendeu mudar tudo de uma hora pra outra.

Se for pensar assim, o filme inteiro é incomodante… Ou vai falar que teu pai teve, ou mesmo você teria, a mesma reação que o nosso amigo Señor MacGuff? =D

Se a Juno tivesse enrolado pra pensar se aborta ou não, dá pra adoção ou não, conta pro pai ou não, o filme não seria o que é. =]

22 de fevereiro de 2008 às 3h10
  a

Eu gostei do filme. So achei o dialogo as vezes um pouco “forçado” demais ( HONEST TO BLOG?????)
Mas não é filme pra oscar.

Agora só não entendo como td mundo chama esse filme de “indie”

Diretor e Elenco de 1a linha. Orçamento de 7 milhoes de dolares. Destribuido pela FOX.
Acho que as pessoas confundem um filme com um pouco de inteligencia com uma producao independente.

22 de fevereiro de 2008 às 3h49
  Borbs

Depois do V tem o A. =D

@a
Indie porque É indie. Foi feito independente… Nenhum “grande estúdio” o bancou — POR ISSO é indie.

Só a distribuição está a cargo da FOX SEARCHLIGHT (que é um braço INDIE da Fox), que provavelmente comprou os direitos depois de ver o filme em algum festival. É o que geralmente acontece… E pra isso servem os festivais. =D

Tanto que, aqui no Brasil, a distribuição é da Paris Filmes…

22 de fevereiro de 2008 às 4h01
  Martin

Ela é tão impulsiva e os outros sabem tão bem disso, que até os pais dela disseram que a idéia dela ter ido pra “cama” com o Bleek não poderia ter sido dele.

Eu gostei muito do filme (e da Ellen Page), ficou tudo bem encaixado, e a trilha sonora é sensacional.

Borbs, tua crítica ficou muito boa. =D

22 de fevereiro de 2008 às 4h07
  Borbs

@V
Hoje o resumão tá com o Morph… Eu tou preparando a cobertura ao vivo do Oscar. =D

22 de fevereiro de 2008 às 4h13
  Bart 182

Curti muito Juno. Realmente deixa com um sorriso na cara. Uma patcha historia bem contada. E Ellen Page e Michael Cera (que ta animal em superbad) fizeram um otimo trabalho. Curti mto…

22 de fevereiro de 2008 às 10h23
  DUdu

Ah, agora sim textos mais concentrados e analíticos sobre cinema. Não sei se é por causa do Oscar, mas vocês deviam manter assim e falar sempre de filmes e tudo mas.

22 de fevereiro de 2008 às 12h37
  Mario

O filme pode não ser os que normalmente concorrem ao Oscar, mas é muito doido, ponto final.

22 de fevereiro de 2008 às 13h22
  Barretão

Bó.. o a minha crítica lá do Guia..

http://www.guiadasemana.com.br/noticias.asp?ID=11&cd_news=35783

22 de fevereiro de 2008 às 14h39
  Valzinha

eu amei juno
demais demais

pode não ser filme de oscar, mas ja teve tanto filme aí que não era digno e mesmo assim foi indicado e ganhou

22 de fevereiro de 2008 às 15h31
  Zebode

Juno, o filme, é bem legal. Juno, a paersonagem, é apaixonante.
Por várias vezes me peguei fazendo comparações entre ela e o House, justamente pq ambos são personagens mais fodas do que as tramas e circunstâncias que os cercam.
Também tive a sensação de sair com vontade de continuar vendo. Alias, hoje devo ver novamente só pra não perder o hábito.

Comentários criminosos a parte, eu quero a Juno pra mim.

22 de fevereiro de 2008 às 18h23
  Rodrigo Hosannah

Sinceramente…Juno é um filme despretensioso, simples, tocante…mostra simplesmente o cotidiano, com diálogos divertidos e situações inusitadas. A verdade é que pode até não ser um filme para Oscar, mas ao mesmo tempo não se trata de um filme sessão da tarde. Muito longe disso. Juno é um filme simples, com final simples, tudo simples. Vi todos os outros e na boa, nenhum deles é MARAVILHOOOSO…No Country for Old Man é excelente, interessante, mas ao mesmo tempo confuso, tem um final confuso, mas leva Ator Coadjuvante e Diretor, na minha opinião…Sangue Negro é muito bom, mas cansativo tbm…Aposto no Daniel Lewis como melhor ator, apesar da excelente atuação de Viggo Mortensen…Já Desejo e Reparação…é bom, muito bom, mas não tem o charme de ter um roteiro original…sei que isso não tem nada a ver ao escolher o melhor filme, mas Juno tem uma história muito criativa…deve levar Roteiro Adaptado, pelo menos…e Juno, no mínimo roteiro original…Conduta de Risco é ótimo, mas cansativo…um pouco confuso tbm…sei lá, se Juno não é filme de Oscar, Conduta de Risco muito menos…É isso…Aposto em Juno pra Roteiro Original, ou seja, vai se sair mais ou menos como Pequena Miss Sunshine se saiu, um ótimo filme, simples, tocante, mas que não é pra Oscar…infelizmente…

22 de fevereiro de 2008 às 19h17
  Renegado

Tem nada demais nesse filme. Nadinha mesmo. Só um bando de personagens totalmente sem noção.

22 de fevereiro de 2008 às 20h16
  Marco Gomes

Acabei de voltar do cinema, assisti por conta dessa resenha… Realmente o filme é ANIMAL! Entrou pra lista dos Top 20

22 de fevereiro de 2008 às 23h19
  k12342s

mas mostra ela “tendo” o bebe com o cara no começo do filme ?

22 de fevereiro de 2008 às 23h34
  Pedr0sh3

eu não esperava mto desse filme mas ele realmente me chamou atenção, é um filme que merece destaque, mas não a ponto de ganhar um oscar

23 de fevereiro de 2008 às 3h07
  Leonardo

Achei Juno muito foda, sabe quando você tá acostumado a ver filmes cheio de reviravoltas no roteiro e depois vê um filme que as coisas fluem naturalmente? Foi assim, em vários momentos do filme fiquei esperando uma grande reviravolta, ou acontecer alguma coisa que ia ferrar com a vida da garota, mas não acontecia, e eu gostei disso, só fiquei puto dela ter ficado com o muleque no final, nunca vi um cara mais merda que ele, aeueahea

23 de fevereiro de 2008 às 15h18
  Bruno

Juuuuuuuura que ele fica com ela no final???

Bacana, economizei 14 dinheiros…

23 de fevereiro de 2008 às 20h53
  Bernardo

adorei o filme =D meus amigos (a maioria) detestou, principalmente a trilha sonora. Mas eles sao viciados em filmes de efeitos especiais pesados, terror, suspense, essas coisas… eu gosto de filmes leves =D

24 de fevereiro de 2008 às 1h24
  Cab

Pode parecer insensível da minha parte mais eu dormi no cinema, logo, de acordo com a minha querida namorada, no melhor dialogo do filme. =|

É o que dá ir pra boates e tomar dezenas de red bulls que você nem sabia que o seus rins tinham capacidade para processar. =P

25 de fevereiro de 2008 às 13h56
  Reticências.org » Blog Archive » Air-conditioning Spray Can, Juno

[...] pelo personagem, que você dá risada alto ou chora. E mesmo assim, é ótimo! O 3º parágrafo dessa matéria do Judão descreve perfeitamente isso. E além disso, a trilha sonora é fofa! Já faz mais de 24h [...]

11 de março de 2008 às 8h22
  Juno « Blog sobre etc…

[...] Perca muito mais tempo levando em conta as opiniões alheias em: Omelete Judao [...]

26 de março de 2008 às 18h17
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