Fazer um filme testosteronicamente sem noção é fácil. História sem compromisso nenhum com nada, explosões gigantescas, tiros até em quem estiver assistindo, perseguições cheias de carro capotando e gostosas. Pronto. O problema é fazer um BOM filme assim, daqueles que a gente pode assistir em looping que jamais vai se cansar do que vê. Carga Explosiva (os dois) e Adrenalina são os dois melhores exemplos dos últimos tempos. Ou eram os dois… Mandando Bala (Shoot ‘Em Up, EUA 2007) finalmente estréia. E é do Haralho.
Durante a Comic-Con, eu tive a oportunidade de conversar com o diretor e roteirista do filme, Michael Davis, e uma coisa que deu pra perceber, a cada resposta dele, é a paixão que ele colocou na produção. Parecia que ele estava mais empolgado que eu por estar ali. Era seu primeiro blockbuster, primeira participação na Comic-Con. Mas não era só isso. Era o fim de um hiato de mais de cinco anos onde dirigiu, no máximo, comerciais de TV e estava quase se aposentando quando resolveu enviar o roteiro para os produtores e conseguiu o estúdio pra financiar.
A volta foi, sem dúvida nenhuma, em grande estilo, num filme que ele mesmo definiu como “estranho”, fora dos padrões –- pode até ser um estilo clássico dos EUA, mas a idéia era ser diferente. Anti-herói britânico, mocinha prostituta italiana, vilões branquelos e estadunidenses, um vício um tanto estranho por cenouras, diversas maneiras de se atirar com uma arma sem usar dedos e um bebê que gosta de Heavy Metal e participa de cenas de forte ação. Tá bom?
Ele, que é fã de histórias em quadrinhos e James Bond, pra tentar convencer o pessoal da New Line a bancar o filme, chegou a fazer uma animação da seqüência inicial. Ela foi exibida no painel, seguida da versão “live action” e ali deu pra entender porque resolveram liberar o dinheiro pra um diretor que jamais tinha chegado perto de um filme de ação. Não chegue à sessão atrasado, se não quiser perder isso.
Nem isso nem todo o resto. Clive Owen, Monica Bellucci e Paul Giamatti. Clive Owen. Monica Bellucci. Paul Giamatti. Clive Owen. Monica Bellucci. CLIVE OWEN. Trocentas referências à cultura pop, indiretas diretas e uma falta de noção do começo ao fim vale cada centavo do ingresso. A trilha sonora. A atuação de Clive Owen também.
Sério.
O diretor disse e eu assino embaixo: é o papel da carreira do cara. Ele não só deixa claro que poderia ser o melhor James Bond EVER como se mostra pronto pra encarar, frente a frente, Chuck Norris, Jack Bauer e Jason Bourne juntos. Afinal, não é todo mundo que consegue fazer uma Monica Bellucci ter um orgasmo durante um tiroteio (no qual ele participa, é bom deixar claro) e fazer uma criança rir ao explicar como funciona uma arma.
Aliás, curiosidade: essa cena foi sem querer. Era só pra mostrá-lo se dando bem com o bebê. O ator resolveu improvisar, explicando a arma… E o bebê riu. Em outro momento em todo o continuum isso teria de acontecer se não num filme como esse? Se não, especificamente, NESSE filme?
Em muitas cidades do Brasil, infelizmente, o filme não será exibido. Não sei também por quanto tempo ficará em cartaz. Mas faça um esforço e vá assistir a esse filme no cinema. Deixe a namorada (e o cérebro) em casa e vá. Michael Davis merece lucrar com essa idéia maluca que ele teve e você merece assistir a tudo isso na telona. Judão RECOMENDA!. Com força. Muita força.
