sexta-feira, 26 de outubro de 2007 | Atualizado em 26.10.07 às 14h56

O Passado


Gael García Bernal tem mesmo que ser só ator…

Tayra Vasconcelos
JUDAO.com.br

Ufa! Depois de sair traumatizada do Festival do Rio, com a experiência de Gael García Bernal como diretor em Déficit, ao assistir a O Passado, dirigido pelo brasileiríssimo argentino Hector Babenco, pude me recordar que ele é um excelente ator e assim deve permanecer (sem se intrometer em áreas que não domina). Adaptado do livro homônimo de Alan Pauls, O Passado recebeu a honrosa tarefa de ser o filme de abertura da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo — que contou inclusive com uma coletiva com o elenco principal e o diretor do filme.

passado.JPGAo contrário do que se martelou em toda a mídia, Gael não é o personagem central da trama, mas sim o objeto de obsessão da personagem principal Sofía (interpretado pela sensacional Analía Couceyro). Rimini (Gael) e Sofía namoram desde a adolescência e acabam se casando, mas depois de 12 anos se separam. Cada um encara a separação de uma maneira, ele diposto a começar uma nova vida e ela decidida a manter acessa a chama do passado, batendo sempre na tecla de que, embora ele não a ame mais, não pode nunca esquecê-la, uma vez que viveram muitas coisas juntos. Ao longo de todo filme, passados anos e anos, ela nunca deixa de aparecer no momento mais inoportuno para lembrar-lhe de que já tiveram uma história juntos, e apesar de muitas vezes parecer serena e resingnada, não é nada disso, seu único objetivo é fazer com que ele acabe voltando para ela. Rimini acaba tendo dois relacionamentos sérios ao longo do filme, um com a lindíssima modelo Vera (Moro Anghileri), uma ciumenta doente, que tem ciúmes da sombra, até mesmo de crianças. Outro com sua colega Carmem (Celentano), com quem acaba tendo um filho. Mas ambos os relacionamentos acabam tendo um fim trágico por conta da intervenção de Sofía.

Ela tem plena consciência de seu problema, tanto que acaba presidindo o grupo Adèle H., onde “mulheres que amam demais” se reúnem. Mas, ao contrário do que se imagina, ela não prega que a mulher deve ter seu amor-próprio, tentar se libertar dessa sina, mas sim de que esse amor é muito válido e que é capaz de trazer o homem amado de volta — ela acredita nisso piamente.

O Passado é um filme muito mais sobre o universo feminino do que qualquer outra coisa. São três mulheres de personalidade forte que vemos nesse filme, e cada uma tem uma postura diante da vida e do amor. Vemos uma mulher obcecada por um homem e que é capaz de fazer as coisas mais horríveis do mundo acreditando que está fazendo um bem a ele e que no final tudo vai dar certo (naquela filosofia de que os fins justificam os meios). Outra é uma mulher lindíssima, mas extremamente insegura, o que a leva ser uma pessoa ciumenta a ponto de ser doente e de acreditar que todos os homens são potencialmente traidores. Já a terceira é mulher madura, centrada, profissionalmente bem sucedida, independente e que por conta disso encara o amor de maneira natural, sem ver complicações onde não existem (de certa maneira é a personagem mais normal de toda a trama). Três atrizes talentosíssimas que conseguem muito bem dar conta do recado de desenvolver bem na tela personagens tão densas.

Para nós, Brasileiros, algo importante de mencionar, mas que certamente passará despercebido: esse foi o último filme de Paulo Autran, que faz um papel pequeno de um excêntrico professor de francês.

Um excelente roteiro, com um excelente elenco e um excelente diretor só poderia resultar num filme sensacional.

Comentários
Já são 3 sobre esse post -- até agora

  Allan

Merd*, esse filme não saiu aqui por Fortaleza.

27 de outubro de 2007 às 0h04
  Cazz

Festivais de cinema me deixam meio deprimido…mas nao sao os filmes q me fazem sentir isso…é a maldita vontade q me dá de vê-los, sem poder =/

27 de outubro de 2007 às 9h31
  Birimbeto

@Cazz

Somos dois.

28 de outubro de 2007 às 5h24
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