Ok. Sou obrigado a dar o braço a torcer. Não queria. Relutei internamente. Cheguei a tirar sangue do meu nariz me espancando pra parar com isso… Mas não deu. Oficialmente, à partir de hoje, Shia LeBeouf é meu ídolo.

Tá, beleza. Ídolo não, é muito forte um título desse pra um magrelo com uma patcha cara de bobo que tem 21 anos e interpreta personagens de 17… Digamos que ele merece meus mais profundos respeitos e absolutamente todo esse hype de “queridinho de Hollywood”.

ParanóiaIsso não significa, nem de muito longe que ele é um grande ator e que Paranóia (Disturbia, EUA 2007) é uma obra de arte, a ponto de ambos merecerem indicações ao Oscar. Não. O cara é assaz mediano e o filme é o mais clichezento possível. Quando ele podia se mostrar mais do que isso, evitou. Duvido que propositadamente, mas… Pra que se esforçar? Isso é Hollywood, Hollywood ama o cara… Não precisa muito.

Duvido que ele vá fazer filmes muito diferentes desse estilo e não faço idéia de como é que será o futuro da carreira dele. No caminho certo ele está… Mas no momento, eu o compararia aos dois Coreys: fazem basicamente todos os filmes de uma certa época, sendo sempre basicamente os mesmos e, pra colocar a cereja em cima do bolo, eles pegam mulheres maravilhosas.

Não é possível ficarmos indiferentes ao fato de ele interpretar (e ser) um nerdão muito parecido com a gente e, das maneiras mais bizarras possíveis, conseguir as garotas. Megan Fox em Transformers, Sarah Roemer (QUE PERFEIÇÃO! QUE BOCA! QUE BU… AAAAH!) em Paranóia… Rihanna na vida real. O cara ainda conseguiu ter como mãe a Carrie-Anne Moss, mais conhecida como a Trinity, de Matrix. PÔ!

Ele, dessa maneira, repetiu o feito do filme dos robôs gigantes: fez com que o fato da garota popular problemática se apaixonar por seu personagem, um nerd também meio problemático, se torne a principal graça do filme, aquilo que nos faz torcer.

Em Paranóia, por exemplo, a idéia de um serial killer ser vizinho de Kale (LeBeouf) e ele começar a espionar o cara que obviamente percebe e, então, começa um contra-ataque até que todos vivam felizes para sempre — ah, não vem dizer que você nem sequer suspeitava que isso fosse acontecer! — é completamente supérfluo. A gente quer que o Nerd pegue a menina que ele ficava espiando enquanto nadava, se trocava, lia no telhado… É isso o que importa, especialmente se você for (e se assumir) um Nerd.

Tá, tudo bem, eu assumo que em determinado momento eu fiquei bem apreensivo (mais do que eu costumo ficar, assumo) com o que poderia acontecer. Não que eu não soubesse ou não tivesse uma grande idéia do que estava por vir… Repito: é tudo muito clichê. Mas ainda assim é legal… Sei lá, tudo parece muito próximo da nossa realidade. Quem nunca tentou ver uma vizinha pelada pela janela? Quem nunca descobriu que o cara de cabelo branco que corta grama todo dia não é um serial-killer? Tá… Isso é um filme. E eis a boa parte da graça. =]

Sendo um daqueles caras que se acham pegadores — ou que até são e acham que são seres humanos superiores por conta disso — é bem provável que você ache o cara, o filme e esse aqui que vos escreve bostas enormes, amareladas e muito fétidas. Eu entendo.

Mas poxa, sem bricadeira, acho que desde Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram (Blá Blá Blá) que não há um suspense “teen” tão legal assim. É daqueles filmes que odiamos gostar. Exatamente como o protagonista… Ponto pra D.J Caruso, que uniu os dois. =]

Se você for um orgulhoso nerd, que quer ver alguém parecido com você na telona, fazendo algo que você provavelmente jamais vai conseguir (isso inclui salvar a mãe do terrível assassino), ou apenas quer se divertir com um suspense divertido (não necessariamente engraçado, embora você vá rir bastante), convide a vizinha que você tanto gosta, compre um baldão de pipoca, um copo gigante de refrigerante e refestele-se no cinema. Aquela sensação de felicidade e dever cumprido por “um dos nossos” ter se dado bem te acompanhará por boa parte do filme. E você ainda pode dar a sorte de que a menina tome sustos… Aí, “dois dos nossos” se darão bem. HÁ! =D