Vamos supor que todo ano, no dia 31 de Dezembro, a gente se levante e bate palmas para um estúdio, uma distribuidora. Não sei pra quem teríamos feito isso nos anos anteriores, mas em 2011 todo mundo sabe que é a 20th Century Fox e a 20th Century Fox Home Entertainment.

Dois dos melhores — se não exatamente os melhores — filmes que vi esse ano tocaram aquela fanfarra no começo e um deles nesta quarta, 28 de Setembro, às lojas e casas de quem já pré-comprou online, em Blu-Ray e DVD — X-Men: Primeira Classe, aquele filme sobre mutantes que a gente sempre quis.

São três versões do Blu-Ray — uma com o combo BD + DVD + Cópia Digital, uma versão limitada para colecionadores com um livro de 40 páginas de fotos de produção do filme, e também X-Men: The Ultimate Collection, com 10 discos (9 Blu-rays, 1 DVD), com todos os filmes e extras, limitada em apenas 1000 unidades, exatamente como a edição europeia.

Mas como o que importa nesse momento é mesmo a Primeira Classe, nós aqui do Judão dissecamos o combo Blu-Ray + DVD + Cópia Digital (que é o que você vai ver nas outras versões, também) e contamos tudo pra vocês. Spoiler: é do caralho. :D

Blu-ray

A primeira coisa que a gente vê, ao apertar o play, é aquele aviso de que o disco foi fabricado usando as últimas tecnologias, bla bla bla, e que talvez você precise atualizar o seu BD Player. Então, enquanto o disco não chega, já faça isso, pra não termos nenhum tipo de erro e/ou problema — embora o Playstation 3 apresente alguns problemas, mesmo com o último firmware. Mas, sobre isso, falo mais a frente.

Como diria o Blog do Jotacê, THIS IS BLU-RAAAAY!

Fanfarra da Fox em HD, aviso do FBI pra não copiar piratear e começa a aparecer um enorme X na tela. É o começo da apresentação do menu, que é bastante simples, mas bem legal. Diversas cenas do filme, do começo ao fim, vão se sobrepondo, até chegar novamente o “X” e começar tudo de novo. As opções do menu ficam numa barra, na parte de baixo da tela, e a navegação é por “pop-up”, com sub-opções aparecendo quando as principais são selecionadas.

Seleção de idiomas
São três tipos de áudio: original, 5.1 DTS HD MA, espanhol (5.1DD) e em português, também 5.1DD. As legendas são em várias línguas, mas a que nos interessa, mesmo, está MUITO boa, tanto no filme como nos extras. Se lembrarmos que na primeira edição do primeiro X-Men eles traduziram para “Ex-Humano”, essa mesma passagem, num clipe de um extra, é traduzida corretamente para “X-Man”, com a, por ser singular. Ou seja… :D

Iniciar o filme
Ou eu nunca reparei ou é a primeira vez mesmo que eu pego um Blu-Ray Brasileiro que exibe a “faixa azul” com a classificação gringa do filme — no caso, PG-13, antes de qualquer coisa da fanfarra da Fox e as animações da Marvel, que eu acho absurdamente sensacional, e da Bad Hat Harry.

O filme então começa, em formato 2.35:1, com vídeo variando entre 20 e 24mbps pela enorme maioria do tempo, mas chegou a 32.7Mbps num trecho que assisti, e a 16.3Mbps em outro.

E é aquela coisa: ver filme no cinema é inigualável, é uma experiência. Mas a alta definição na TV preenche completamente — e muito melhor — os olhos. É impressionante. :)

Buscar
Há três tipos de busca nesse blu-ray. A primeira, e mais comum, é a de Cenas, que é apresentada com uma linha do tempo, ajudando a você a se localizar, na medida do possível, em quando aquela cena, apresentada por uma imagem chave, é mostrada no filme.

A outra é a por Favoritos, que você pode ir marcando conforme assiste ao filme. Desse modo, você decide o que são cenas importantes pra você, sempre que quiser rever, ou mostrar pros amigos… Eu recomendo um bookmark por volta de 58mins10segs. Sabe a January Jones, de lingerie? Então. :D

Oi, moça. :D

A terceira opção, que requer conexão com a internet, é o Live Lookup, com os poderes do IMDb. Sabe aquele momento em que em TODO filme você vê um ator e quer lembrar o que ele já fez? Com os apps de celular do IMDb é tudo fácil, mas se não quiser procurar nem por isso, é só usar essa opção. Ela mostra o filme em tela cheia ou pequena, com um menu que mostra os atores daquele capítulo / cena ou de todo o filme. É só, então, selecioná-lo pra ver a filmografia dele, sem precisar parar o filme — ou desviar a atenção. E o mesmo vale para os personagens. :)

Bônus
Por que “bônus” e não “extras”? Só prá constá, mesmo… Eu vou chamar de extra, sempre, ok? :D

  • Trilha sonora isolada do compositor
    Não há diálogos — apenas a trilha sonora isolada do compositor, com áudio 5.1DD. Vi pouco do filme assim, mas é impressionante como dá um outro clima. Uma coisa é a música ficar tocando no fundo, atrás do diálogo, da voz do ator. Outra é ser a única coisa que se houve. É uma experiência bastante interessante. :)
  • Cerebro: Rastreador de Mutantes
    Teoricamente é uma brincadeira, tipo um jogo, na qual você usa o Cerebro pra encontrar mutantes e destravar um “perfil mutante” e “estatísticas vitais” sobre, com o nome, afiliação, habilidades e conexões “mutantes”.

    Cerebro: o rastreador de mutantes

    Eles ficam aparecendo, é seu papel “selecioná-los”e assim ver um clipe que apresenta-os. São usados todos os filmes — e no caso de Xavier, por exemplo, mostra desde o “Primeira Classe” até “X-Men 3″, e no do Wolverine conta o X-Men Origens: Wolverine também. E assim vai indo. São mais de 40 perfis e vídeos.

    De acordo com a Fox, a ideia é ir expandindo, conforme novos filmes forem feitos e novos mutantes foram aparecendo.

  • Filhos do Átomo
    É um documentário dividido em vários segmentos, com áudio Dolby Digital, 2 canais, e vídeo com média de 10mbps, com alguns trechos chegando a 20.1Mbps. “A Segunda Gênese”, o primeiro desses segmentos, fala sobre todo o processo de desenvolvimento de X-Men: Primeira Classe, contando desde a primeira ideia de fazer um filme com os personagens jovens até, obviamente, o início das gravações do filme, passando pela busca de diretores, roteiro, etc, com entrevistas com todos os envolvidos e diversas imagens de bastidores.

    No segundo, “Grupo de Irmãos”, o foco está na escolha de mutantes e atores para interpretar os personagens já conhecidos dos outros três filmes, dessa vez com entrevistas com os próprios atores e, claro, cenas de bastidores e do teste de Michael Fassbender, usando um bigode NO MÍNIMO ridículo. E nesse ponto a gente percebe que James McAvoy é provavelmente o cara mais legal do mundo — aquele que todo mundo gostaria de ter como amigo, pra ir pra um boteco, beber, falar merda… :D

    “Transformação” é o terceiro seguimento e trata adivinha sobre o que? Sim. Maquiagem — mais específicamente no processo de criação do Fera perfeito para Matthew Vaughn, que não gostava do visual do personagem no terceiro filme, de como foi para Jennifer Lawrence se tornar a Mística e de como foi simples fazer com que Jason Flemyng se tornasse o Azazel. Todos sem o uso de nada digital, apenas próteses e maquiagem. (Sim, tem a Jennifer Lawrence sendo pintada, o que significa que ela está nua).

    Em “Adequação”, o foco está no figurino — o visual civil dos personagens, que estão nos anos 60 com todo um visual “James Bond” (referência que o diretor deu à designer de figurino Sammy Sheldon), e principalmente o uniforme dos X-Men, que é o mais próximo dos quadrinhos de todos os filmes. Fala dos estilos dos personagens, cenas de bastidores e Bond, James Bond. E é engraçado ver que tudo conspirou pro bem desse filme — especialmente a produtora Lauren Shuller Donner resolvendo liberar tudo. Uniforme azul e amarelo, o capacete do Magneto, que ela mesmo diz que nos outros filmes “diminuiram o tom”, pra não ficar exagerado. Pô!

    “Nova Fronteira: Uma Dose de Estilo” nos mostra, como diz o título, o estilo usado nos sets do filme, bem como as suas construções. Novamente, tem bastante James Bond, Sean Connery e a mostra de quão mágica e poderosa é essa tal de Hollywood, com tudo — e como — eles fizeram o que fizeram.

    Falando em fazer, “Fazendo o Impossível” pega todas as telas verdes mostradas nas cenas dos bastidores até agora e as preenche. Os “novos efeitos especiais”, bem com os antigos, tipo os da Angel e da Mística são mostrados e explicados, bem como coisas muito maiores, como a cena final dos personagens voando — que foi filmada usando helicópteros, e não criadas totalmente no computador. Eu não sabia, e ver isso funcionando colocou minha cabeça e meu cérebro lá no teto. Simplesmente sensacional.

    “Som e Fúria” é o último dos segmentos de Filhos do Átomo, tratando, obviamente, sobre o som do filme e a trilha sonora composta por Henry Jackman. É basicamente como aquilo que você vê e ouve em “Trilha sonora isolada do compositor” (e no menu principal) foi realizado. A orquestra e como chegaram à fúria de Magneto, dando o tom do filme.

  • Cenas Excluídas
    As cenas, que podem ser exibidas todas de uma vez ou de uma em uma, tem áudio Dolby Digital 2 canais, e vídeo com média de 12kbps. E são as seguintes:

    “Erik no Aeroporto na Argentina”
    Erik Lensherr chega a Argentina e tem um momento de saudade da sua mãe, lembrando a todos porque ele é do jeito que é, sente o que sente e faz o que faz. Just in case alguém tenha se esquecido.

    “Shaw com os Generais Cubanos”
    Coronel Hendry chegando ao barco de Shaw, com vários militares cubanos à bordo, numa demonstração de que todos podem ser amigos, basta querer. <3

    “Encontro de Charles e Moira, Parte 1″
    Xavier indo até o quarto de Moira, ser awesome e tal. Mas toma um fora. Mental. E ainda encontra Erik no caminho, indo embora.

    “Charles e Erik recrutam Angel (Estendida)”
    Na boate de Strip-Tease, a Angel oferece aos dois a dança privativa e então você vê o que conhece do filme e o que a Internet mostrou há algumas semanas. Se não se lembra, pode clickar aqui pra lolar. :D

    “O Caminhão Russo (Estendida)”
    Check-point na Rússia, em que Xavier esconde todos os soldados com a mente. No filme, assim que ninguém vê nada lá dentro, o motorista fecha a porta e pronto. Nessa, um cachorro fica maluco lá dentro. :)

    “Erik contra os Guardas Russos (Estendida)”
    Um pouco mais da sutileza de Erik Lensherr no seu caminho até Emma Frost, na mansão russa. :)

    “O Plano de Shaw (Estendida)”
    A mente de Emma Frost mostra um pouco mais do que vimos no filme, quando Xavier a lê, na Rússia, mostrando os planos de Shaw.

    “Treinamento de Destrutor, Parte 1″
    Primeira vez que o Destrutor tenta controlar os poderes, na sala de Perigo. Ele avisa que podia dar merda, põe fogo em tudo e, nessa cena, Xavier fica todo putinho.

    “Treinamento de Banshee, Parte 1″
    Um pouco mais da “primeira aula” de Banshee e como ele derruba Moira, Xavier e derrete uma armação de metal. :D

    “Treinamento de Destrutor, Parte 2″
    O segundo treino do Destrutor, agora já com o “centralizador” do poder. No filme, só vemos o resultado. Aqui, o processo dele tentando atirar no manequim do meio e acertando os dois da ponta.

    “Treinamento de Banshee, Parte 2″
    O primeiro vôo de Banshee, muito mais comédia pastelão do que vemos no filme.

    “Hank e Raven no Laboratório (Estendida)”
    Hank elogia a estrutura celular de Raven, naquela cena em que ela faz a “piada” do “bonita por dentro”. Apenas o diálogo é maior e, o principal, a caminhada dela pra fora da sala é maior e, vamos dizer assim, mais interessante. :D

    “Encontro de Charles e Moira, Parte 2″
    Xavier e Moira se pegaram ANTES daquele “último beijo”! E se pegaram bem. Mas a cena foi deletada, e eu não sei em que ponto do filme se encaixaria… Talvez por isso tenha sido deletada. :D

Há pelo menos dois outros extras da versão gringa que não temos aqui: “X Marks the Spot”, que mostra as gravações e entrevistas sobre cenas específicas, que você vê durante o filme, e um “How to” sobre a cópia digital.

Esse how to não importa tanto e, na caixinha, junto do código para desbloquear, há as informações necessárias. Mas esse X Marks the Spot, poxa… São quase 20mins de extras a menos — eis um clipe desse extra. :/

Live Extras
Essa opção você só vai enxergar se o seu BD Player estiver conectado a Internet e a linguagem definida no sistema for inglês. Já estamos acostumados a isso, mas dessa vez esses extras online não funcionam no Brasil. Não por enquanto, pelo menos… Mas enfim.

  • What’s new
    Há restrição quanto a esse conteúdo no Brasil. Basicamente não há nada que você possa ver de “novo” aqui. :/
  • Live lookup
    É exatamente a mesma coisa que você encontra em “Busca” (ou em “Search”) — o esquema de saber as informações dos atores e personagens da cena ou de todo o filme, na hora, direto do IMDb, na tela. :)
  • Exclusive: “Dogfight” Stunt Test
    O Blu-Ray baixa alguma coisa, que não pode ser vista. Na tela em que você poderia assistir a esse “Dogfight Stunt Test”, nada aparece e de repente você é jogado para uma tela preta que, depois de um terno, se torna o menu principal. :(

Falando nessas coisas de estar online, em inglês e tudo mais…
Meu BD Player é um PS3, conectado a internet e demorou MUITO pra começar qualquer coisa, na primeira vez que apertei o play. A tela fica a preta, as vezes mostrando o símbolo do play no canto inferior esquerdo, as vezes o reloginho de “loading” no canto superior direito. As vezes, absolutamente nada.

Então, veio mensagem sobre a fabricação utilizando as últimas tecnologias, a Fanfarra da Fox, aviso do FBI e tudo ocorreu normalmente. Mas ao trocar a linguagem do menu para português, nas configurações do PS3, e ao tentar retornar para o disco, o máximo que eu conseguia era a mensagem de que o BD foi fabricado com as últimas tecnologias, etc.

Aparentemente, é um problema já conhecido e, no fórum oficial do Playstation, um usuário afirmou que o suporte técnico manda deletar todos os arquivos da pasta “BD Data Utility” e reiniciar o sistema. Essa opção, simples desse jeito, não funcionou comigo. Foi até a fanfarra da Fox e tela preta eterna.

Testei a mesma coisa, mas dessa vez desligando a conexão com a internet e deu certo. Depois, religuei a conexão ao tentar reassistir, mesma coisa — depois de ouvir a fanfarra da Fox, a tela preta trava. Decidi então trocar novamente a linguagem do menu para “inglês”, nas configurações de vídeo do PS3 e… deu certo.

Será que o problema é que o conteúdo online do Blu-Ray é exclusivo em inglês, ou por eu estar assistindo ao dito cujo em português, antes do lançamento no Brasil, ele não estava liberado? Ou é algum outro problema aleatório e bizarro?

Entramos em contato com a Fox sobre esse problema e aqui está a resposta. Aparentemente, tem a ver com o fato de os BD-Live não estarem disponíveis na América Latina AND o fato do PS3 não se dar muito bem com esse BD. :(

DVD

Sem nenhum tipo de enrolação ou demora, o DVD — que ainda contém a cópia digital do filme — passa da fanfarra da Fox para o menu, que embora seja basicamente o mesmo do menu, é bastante fraco. O “X” grande aparece, uma sobreposição de imagens do filme acontece e tudo para, ficando estático.

O menu também não funciona como “pop-up”, havendo uma tela para cada opção. Na “Seleção de Idioma”, há a tela de áudio e a de legendas, separadas; em “Cenas”, é aquilo que já estamos acostumados, quatro imagens chaves das cenas juntas, e seus números, com paginação de “4 em 4″. São 32 cenas, no total.

Entre as cenas estendidas, apenas os “treinamentos” do Destrutor e Banshee e o encontro de Hank e Raven no Laboratório. Obviamente a ideia foi aproveitar o mais “popular” no que o espaço em disco permitia, mas muita coisa foi deixada de lado. Menos essa cena da Raven saindo bravinha do laboratório que, mesmo não sem em alta definição, é sensacional. :D

Cópia digital

Tem Mac? Ou gostaria de assistir sem muito esforço ao filme no seu iPhone, iPad ou iPod Touch? Fique sabendo que o arquivo digital, de 1.3GB, é WMV. Não vai tocar no iTunes… :/

E então…

Se a gente tiver de reclamar do conteúdo, só podemos fazê-lo por ele não ser tão completo quanto a versão americana. Mas, também, os Yankees não terão essa edição especialíssima, limitada e, portanto, rara, que teremos por aqui.

Mas, eu sou daqueles que preferem conteúdo acima de tudo — e esses minutos a mais, essas funcionalidades online, vão me fazer falta. Mesmo. Porque eu passei longas horas fazendo essa resenha, assistindo a tudo, e adorando cada segundo. É realmente delicioso fazer esse tipo de coisa, com essa qualidade toda, com tanta coisa legal, sobre um filme SENSACIONAL. Sempre há alguma coisa de novo, sempre se aprende algo, sempre se surpreende.

Não vou ficar bitching aqui por conta do que faltou, porque essas mais de 4h de conteúdo do Blu-Ray são quase obrigação para fãs dos X-Men dos cinemas. E ainda tem essas embalagens…

Como eu disse lá em cima, amigo… É do caralho. :D