Até um dia antes de eu assistir à sua sequência, eu não tinha visto o primeiro “Sherlock Holmes”. Já tinha o Blu-ray fazia algum tempo e, já sabendo que o segundo filme estrearia em breve, esperei a oportunidade pra vê-lo. E assim… Não é exatamente um filme dirigido por Guy Ritchie. Não, pelo menos, um filme dirigido por ele daquele jeito a que estamos acostumados.

Claro, algumas sequências como os “flashbacks” ou a luta de boxe fazem parte da sua assinatura, além de Mark Strong, mas ainda assim é o filme que mais se diferencia da sua obra. E é legal ver isso. Um personagem como Sherlock Holmes foi bem inserido nesse universo do cara e, interpretado por Robert Downey Jr., conseguiu ganhar vida novamente — ele foi, aliás, o primeiro Sherlock Holmes da TV / Cinema a ser indicado a um Globo de Ouro. Ou seja… :D

O problema, digamos assim, é que o filme foi feito um pouco às pressas, com uma agenda muito restrita e, de verdade, pareceu que o cara simplesmente tinha que fazer aquele filme, o fez, assinou onde pode, e acabou. E deu certo. Muito bem nas bilheterias e amizades formadas, agora é hora de Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, a sequência que, como definiu Downey Jr. em entrevista exclusiva ao Judão no Rio de Janeiro, onde esteve pra divulgar o filme, é um negócio de família. :)



Começando do momento em que o primeiro filme parou, com Irene Adler (Rachel McAdams) ainda trabalhando para Moriarty (que nesse filme é vivido por Jared Harris) e Sherlock salvando o dia, agora sim podemos dizer que temos um filme de Guy Ritchie — sem pausa pra respirar desde a exata primeira cena até a última. Gravado num ritmo muito mais tranquilo, com pausas para descansos, parece que os amigos resolveram fazer tudo o que queriam. Downey Jr. assume de vez mais essa faceta — sem parecer, nem por um segundo, que é (de verdade, você sabe) Tony Stark –, Jude Law é um Dr. Watson muito mais parceiro e muito mais Watson que conhecemos dos livros de Arthur Conan Doyle, Noomi Rapace realmente parece uma cigana gostosa, longe de ser a magrela Lizbeth Salander, e Guy Ritchie… é Guy Ritchie. Sem nenhum tipo de amarra, restrição. Fez o que sabe fazer, fez o que GOSTA de fazer.

Senti falta, sim, de um pouco mais de “investigação”, de um pouco mais de “como esse filho da mãe descobriu isso tudo?”, pra quebrar um pouco o ritmo, pra gente não esquecer quem é o personagem. Por acaso eu havia assistido ao primeiro filme algumas horas antes e tudo fluiu um pouco mais fácil… Mas não dá pra dizer que é melhor que o primeiro. Ou pior. É absolutamente diferente.

Não deve ser à toa que o terceiro já está sendo escrito e que Downey Jr. disse que “pode ser o melhor dos três”. Se juntarem o ritmo e ação do segundo, com o sherlockholnismo do primeiro, não só podemos ter o melhor dos três filmes, como ter um filme realmente do caralho. E baseado na empolgação com que ele cita o “family business” que essa franquia se tornou… :)