
Quando surgiram as primeiras imagens de Speed Racer, com todas aquelas cores e brilhos, o que eu mais li e ouvi dos fãs xiitas era reclamação. Muito colorido, muito brilho, muito gay, que lixo, parece F-Zero… Daí pra baixo. Eu, que nunca assisti ao anime e nem conheço muito do personagem, achei legalzão. Até porque eu estava esperando um filme mais “sério”, por assim dizer… Tipo, que se passa em autódromos reais e coisas desse tipo. Seria, no mínimo, chatão. Pô, é um anime! Um dos personagens é um Macaco! =D
Pois bem… O filme está aí. E os irmãos Wachowski mostraram o quanto sabem dessa cultura de animes, futurismo e bizarrices em geral. Ao que se propõe, Speed Racer é perfeito. E não se propõe a pouca coisa não, já que lida com um dos personagens mais famosos da cultura pop japonesa e, obviamente, mundial.
Não sei se é possível entender o que eu quero dizer com isso mas, em Speed Racer, ao invés de uma adaptação ou uma transposição, os Wachowski conseguiram criar um anime live-action. Sabe aquelas cenas em que tudo vira câmera lenta, o fundo muda pra umas coisas “passando” e tal? Absolutamente tudo está lá. Só não é enrolação… O filme é emocionante do começo ao fim, em todos os sentidos.
Por exemplo, nas corridas, aquela quantidade absurda de cores, brilhos e pistas bizarras chega, inclusive, a ser necessária. A proposta do filme pede esse tipo de coisa. Talvez você, sem ver o filme, não goste e não queira ver. Mas eu duvido que o fã que colocar o pé na sala de cinema não saia de lá empolgadão pra dirigir o Mach do Speed, viver naquele mundo futurista e ainda ficar com a Trixie. Ah, a Trixie… Impressionante o quosciente de nhuizisse da Christina Ricci nesse papel.
Outra coisa emocionante é a história que faz com que o filme corra (literalmente, às vezes). O início da carreira do Speed, o “fantasma” do seu irmão mais velho, Rex, e tudo o que isso representa na sua vida, na vida da família e no seu futuro como piloto, até mesmo a relação com a Trixie… No final eu quaaaase chorei. Não é nada profundo, muito pelo contrário, é até um pouco infantil, mas ainda assim tocante. Filmes legais, divertidos e leves estão em falta. E fazem muita falta. =]
Muito disso, é claro, se deve ao fato da escolha dos atores e a química entre eles. Do macaco Zequinha até o Mario Pops (John Goodman), passando pelo Gorducho (Paulie Litt) e a D. Mamãe (Susan Sarandon, FROXO!), estão todos absolutamente perfeitos. Repito: não conheço o anime e não posso fazer comparações mas, no filme, eles se encaixam do jeito que deveriam. Destaques, como eu já falei, para a Trixie e para o Gorducho. O moleque é divertidão. :)
E antes que alguém reclame: sim, a história, de maneira geral, é diferente. Mas vale lembrar, como sempre, que se trata de uma adaptação. Não só de mídias diferentes, mas também de épocas e de público. Coisas que na época do anime eram legais hoje nem sequer fazem sentido.
Sabe, eu tenho a plena noção e até certeza de que Speed Racer não será uma unanimidade. Reclamarão de absolutamente tudo o que eu tou elogiando, talvez até um pouco mais. Destaques para a diferença na história, cores e o ar de certa maneira infantil que o filme tem, quase um filme pipocão no melhor estilo Carga Explosiva para crianças. Mas mesmo assim, antes de “não ver e não gostar”, seria legal dar uma chance. O que os Wachowski tiveram a manha de fazer merece nosso respeito.
Não só fizeram um filme assaz legal como ainda conseguiram me fazer ter vontade de dirigir e assistir ao anime original. E olha que ser motorista e otaku está LONGE das minhas vontades… =D
Aproveite o fim de semana e leve a namorada pra assistir ao filme, em alguma sessão bem tarde. Isso se você não suportar crianças na sala de cinema MESMO, porque eu acho que de tão legal o filme é, os infantes serão a sua menor preocupação. Judão RECOMENDA! com todas as forças! =D
|
Speed Racer (EUA 2008) Direção: Andy Wachowski, Larry Wachowski Roteiro: Andy Wachowski, Larry Wachowski Elenco: Emile Hirsch, Christina Ricci, John Goodman, Susan Sarandon, Matthew Fox, Hiroyuki Sanada, Richard Roundtree, Rain, Benno Fuermann, Kirk Gurry, Paulie Litt, Roger Allam Nota do JUDÃO [ratings] |
