Há pouco mais de três anos, na última cena de Batman Begins, uma recordação do novo criminoso a solta em Gotham City foi entregada por Jim Gordon ao vigilante mascarado que por ali surgiu. Foi nesse momento exato em que eu passei a prestar atenção e buscar todo e qualquer tipo de informação sobre a seqüência.

O tempo foi passando, o novo filme foi anunciado, recebeu título, definiu elenco, ganhou site oficial, logotipo e milhões de fãs enlouquecidos por todo o mundo… Até Maio do ano passado, quando surgiu o site da campanha de Harvey Dent para ser eleito o promotor público de Gotham City. Ali teve início um dos maiores hypes da cultura pop Mundial. Foi ali que, definitivamente, Batman: O Cavaleiro das Trevas, começou.

Lá se vão quase um ano e meio de buscas, descobertas, queixos caídos e uma expectativa épica para um filme épico. E aí vem a pergunta inevitável… Batman: O Cavaleiro das Trevas é tudo isso?

A resposta é simples: É MAIS do que tudo isso. Não só corresponde a tudo o que era esperado como supera. Não é simplesmente mais um filme baseado em histórias em quadrinhos. Não é, na verdade, sequer simplesmente um filme. Por tudo o que o envolve, por tudo o que o representa. Nerds de todo o mundo preparem-se: suas cabeças vão explodir.

Esqueça os trailers, spots de TV e outros clipes que você por acaso viu. Se puder não ver nada até o dia da estréia, diria que é o ideal. Eles dão, agora eu sei, uma idéia um pouco errada de como o filme realmente é. Especialmente com esse filme, em que a ação propriamente dita é o que menos importa. O clima pesado e sério da história e do próprio filme, que é uma evolução em todos os sentidos de Batman Begins, nos deixa tensos, apreensivos. Não dá pra rir com o Coringa. Ou melhor, não dá pra achá-lo engraçado… Ele assusta. Ele é a exemplificação do Terrorismo. Sem fazer muita coisa impõe o pânico em Gotham City. Faz até mesmo o Batman pensar duas vezes no que está fazendo… Definitivamente, Heath Ledger vai fazer falta. O papel de sua vida, a obra-prima de sua carreira… Um ator deixar de ser quem é em favor de um papel, do jeito que ele fez, confesso que nunca tinha visto.

O seu Coringa é psicótico, psicopata, louco, sem noção, maluco, doente, irônico, provocador… O seu é o melhor Coringa de todos os tempos e, ouso dizer, de todas as mídias. Um Coringa que não tem uma motivação exata para fazer o que faz… Apenas quer se divertir. Apenas quer mostrar do que é capaz. Sem acidentes bizarros, sem desejo de vingança… Ele é o vilão perfeito, daqueles que são raros de se ver. O vilão que faz maldades por fazê-las e não perde muito tempo com conversa. Só mesmo quando quer entender porque suas vítimas estão tão sérias… =D

O mesmo vale, guardadas as proporções, para o Christian Bale. O seu Bruce Wayne tem uma personalidade completamente diferente dele e do seu Batman. Até assustei quando ele soltou a voz. Não me lembrava que ele, além de não revelar a identidade, ainda usava esse artifício pra meter medo nos bandidos de Gotham. E como nessa história ele já tem a sua fama construída — não necessariamente pelos motivos corretos — tudo é ainda mais grandioso. Tudo mesmo — desde o Batpod, que pra mim é o melhor veículo já usado pelo Batman (até pelo seu surgimento) ao próprio filme. =]

Os dois juntos protagonizam as melhores seqüências do filme, não há o que discutir, mas Christopher Nolan nos fez a gentiliza de oferecer mais. Colocou na história um tal de Harvey Dent, sedento por justiça, não importam os meios. Aaron Eckhart é mais um ator com uma interpretação brilhante — especialmente depois que alguma coisa não muito boa acontece a ele. Harvey Dent deixa de ser, até literalmente, o homem da lei, o herói, o Cavaleiro Branco. O filme deixa de ser sobre as maluquices que o Coringa faz pelo puro prazer de acabar com o Batman e, pasmem, se torna ainda maior, melhor, surpreendente e empolgante. A história é tão bem contada, tão bem amarrada que, por mais que em um dado momento a gente abra a boca, deixe pingar aqueles mililitros de baba na barriga e pergunte mentalmente o que foi que aconteceu, não conseguimos encontrar furos.

Sem grandes seqüências de ação, sem grandes seqüências de explosões e pessoas voando. Christopher Nolan conseguiu, utilizando três personagens completamente cerebrais, atingir algo muito raro no cinema Hollywoodiano de hoje em dia. Ele foi direto nas nossas cabeças, naquele lugar exato que nos faz ficar abismados, de um jeito ótimo, com um filme… Mais ou menos como a mágica que o Coringa faz, logo depois de roubar um dos bancos em que a máfia guarda seu dinheiro. =]

Batman: O Cavaleiro das Trevas é o filme definitivo do Batman e do Coringa definitivos. Outro filme até poderá ser (e será!) feito, outro Batman poderá surgir, pode ser que inventem de escolher um outro Coringa no futuro. Mas será impossível superá-los.

São 2h32 minutos exatos de um filme que a gente jamais gostaria que acabasse. Obrigado Nolan, obrigado Eckhart, obrigado Bale e, acima de tudo, obrigado Ledger.

Batman: O Cavaleiro das Trevas
(The Dark Knight, EUA 2008)

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan

Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Morgan Freeman, Michael Caine, Gary Oldman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Eric Roberts, Anthony Michael Hall, Nestor Carbonell, Melinda McGraw, Nathan Gamble, Michael Jai White

Site Oficial: BatmanOCavaleiroDasTrevas.com.br

Nota do JUDÃO

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