A fórmula perfeita de um filme de ação clássico é muita destruição, piadinhas e algumas gostosas. Essa mesma fórmula é o terror da maioria dos cinéfilos cults. Nós não somos cults, graças à  Shiloh, nem nos perfazemos. Somos todos fanboys de cultura pop em geral. Aquelas coisas que a gente sabe que só existem para faturar. São feitas dessa maneira. Transformers (Idem, EUA 2007) é um exemplo clássico.

TransformersRobôs gigantescos se enfrentam na Terra — dirigido por Michael Bay. Não creio que seja possível algo mais pipoca do que isso. É porrada, barulho, piadinhas e gostosas do início ao fim. Sem parar nem um pouquinho. Mesmo quando tem de parar, alguma coisa acontece. E esse é, talvez, o único defeito do filme.

Não, aquele ditado de “tudo o que é demais enjoa” não cabe aqui. Não dá pra enjoar do que se vê na tela. Mas é tanto, tanto tempo de “destruição + piadinhas + gostosas” que acaba se tornando banal. Do começo até pouco mais da metade é tudo lindo, maravilhoso. O ritmo alucinante te gruda na poltrona e, nesses momentos, vem aquele sorriso maroto na cara e o pensamento de “É, o Michael Bay fez certinho dessa vez”. Mais alguns minutos disso e o sorriso vai passando. A cabeça vai sendo preenchida de pensamentos aleatórios… Até que você se toca que está num cinema, vendo a mesma coisa há quase duas horas.

Se Michael Bay tivesse cortado o ritmo de vez em quando, buscando aprofundar um pouco mais, por exemplo, nos soldados que sobreviveram do ataque do deserto, ou a reação dos estadunidenses ao caso, a coisa fluiria bem melhor. A gente teria outras coisas pra nos preocupar. Do jeito que foi feito, era um tanto complicado se lembrar da história, das N coisas que acontecem ao mesmo tempo. Michael Bay não poderia estar certo. =D

LOVE IS IN THE AIR
A Paramount disse e, pelos pôsteres, ficou claro que eles estavam tentando vender, além dos robôs, uma história de amor. Eu também não vejo sentido nisso, mas enfim. Hollywood é assim, bizarra. É raro vermos algum sentido. Mas, dessa vez, ao menos, eles foram coerentes: venderam algo que não existe. =]

Megan FoxA relação do Sam Witwicky (Shia LaBeouf) e Mikaela Banes (Megan Fox) nada mais é do que uma ótima referência interna aos Nerds que eram fãs dos Transformers nos anos 80 ou se tornou agora. Afinal, aquela história de nos apaixonarmos pela menina linda do colégio e ela só se interessar pelos que têm seus maiores músculos localizados nos braços já aconteceu com TODO MUNDO. Mas poucos de nós nos demos bem. Pra isso existe os filmes… Não tem como deixar de pensar que se a gente tivesse um carro que anda, fala, pensa… =D

Aliás, outro ponto positivo nessa história: apesar de ser “a popular”, ela, no filme, manja de mecânica (a melhor cena do filme é quando ela resolve fuçar no Camaro velho do Sam) e, o que eu achei mais legal, não termina o filme toda arrumadinha. Nas últimas cenas ela já tá toda suja, com o cabelo desgrenhado… Particularmente, a achei mais interessante assim. Ela é TÃO bonita, mas TÃO bonita que, assim como a quantidade de porrada do filme, acaba fazendo com que a gente se acostume. Enjoar não enjoa, NUNCA.

Ainda bem que resolveram acatar essa idéia dela. Ufa. =D

TRANSFORMAR!
Robôs gigantes que viram carros e outros brinquedinhos — tipo uma máquina de refrigerante ou um Xbox 360. Essa é uma definição que, por si só, significa sucesso. Não à  toa que tudo começou com brinquedinho, que virou desenho e hoje é um dos principais blockbusters de 2007. =D

Muita gente tinha ficado com medo… Eu também. Tá, o meu problema era com os lábios do Optimus Prime, que chega a fazer biquinho quando diz “life”. Mas de maneira geral, é tudo MUITO impressionante. As transformações são BEM legais, seja de robô pra carro, ou de carro pra robô. Eles são gigantes e são barulhentos.

Só achei meio complicado, uma vez que tentaram fazer a coisa mais verossímil possível, distinguir quem era quem na hora das tretas. É tanta ferragem rolando pra lá e pra cá…

E ah, sim: deviam ter diferenciado um pouco o Megatron do Bonecrusher. No meio de tanta porrada, fica difícil saber quem é quem. =]

NO FIM DAS CONTAS…
Se você, assim como eu, acabar viajando em pensamentos alheios no meio de uma treta homérica, não se assuste. Mas pode ser que você fique vidrado em tudo o que tiver acontecendo. Não interessa qual será a sua reação. Transformers é um Pipocão DE-LI-CI-O-SO. Você ri com as tiradas do Bumblebee no começo, vibra com o surgimento do Optimus Prime e nem se preocupa com os lábios dele. É… Não deu nem pra achar ruim.

O único defeito mesmo, repito, é o simples fato de não haver nenhuma quebrinha do ritmo, a ponto de nos entediar em alguns momentos, do meio pro final do filme. Mas, também repito, você pode não sentir nada disso. Seja como for, do jeito que for, todo mundo que for assistir ao filme e deixar o cérebro na porta da sala do cinema vai se divertir como pouco se diverte com um filme. Um ótimo programa pra esse fim de férias. Judão RECOMENDA!