quinta-feira, 29 de março de 2007 | Atualizado em 01.01.08 às 19h52

300


Radiante com o filme e triste por poder dar só 8 asteriscos…

Tayra Vasconcelos


Tá aqui um filme daqueles que no final merece que a gente levante e bata palmas. Faz tempo que não via um fime tão completamente lindo como 300. Eu, que sou formada em História, bem sei o tamanho do desinteresse geral dos Brasileiros por essa área, tanto que quando entrei na faculdade, várias pessoas me questionavam: “Mas, História? Logo História…“.

Por isso fico muito satisfeita quando vejo o cinema envolvido nessa questão, trazendo para um grande número de pessoas um fato que, se dependesse apenas do interesse dos espectadores de irem procurar num livro para saber sobre o assunto, talvez eles morressem sem esse conhecimento. Acho sensacional ver filmes cumprindo essa função didática, despertando as pessoas para coisas que aconteceram no passado, e que, embora nem imginem, tem relação direta com o nosso presente — pois se os gregos não tivessem vencido a guerra contra os Persas, talvez estes tivessem, a partir dali, dominado toda a Europa, o que influi totalmente na nossa ascendência. O que seria de nós se os persas (ascendentes de muitos povos árabes) tivessem dominado toda a Europa?!?

O filme 300 botou no liquidificador a graphic novel de Frank Miller, a real história da Batalha das Termópilas, um pouco de outras histórias e valores da sociedade espartana e uma pitada de licença poética. E o resultado foi simplesmente primoroso. Afinal de contas, até hoje, nunca vi nenhum filme que trate de um assunto histórico que não receba uma adaptação que leve um bom punhado de “romance” para fazer com que essa fique mais vistosa e interessante aos olhos do público, o que justifica inserções de frases de um autor na boca de outro, fatos ocorridos num momento apresentado em outro e assim vai. Isso não passa de uma apimentada no roteiro, e cabe ao espectador perceber isso e não levar pra sua vida algo visto num filme como verdade plena e absoluta.

No caso de 300, posso dizer que o filme serve de um bom embasamento para alguém que sabe pouco (ou nada) sobre a história da Grécia Antiga e dos próprios espartanos. Acho que fica mais do que claro a idéia de como os espartanos usaram a natureza a seu favor, uma vez que o número de seu soldados era reduzidíssimo. Isso foi muito bem explorado no filme, graficamente falando. As coreografias de luta são lindas. Não há como não ficar empolgado diante de tudo aquilo. É totalmente de tirar o chapéu.




Eu ressaltaria só dois pontos que não me agradaram muito no filme, mas não a ponto de me fazer reduzir a nota máxima que o filme merece. Um é o fato de no filme a Gorgo (Lena Headey) aparecer como quase um E.T. pelo fato de ser uma mulher independente, dominadora e de ser acusada de adúltera, sendo que uma cena do tipo jamais aconteceria em Esparta, que era a sociedade antiga que mais tinha a mulher no mesmo patamar que o homem. A liberdade sexual feminina era tamanha e tão inserida nas tradições que jamais ela seria vista como uma adúltera.

Além disso, o filme passa um pouco a idéia de que Leônidas (Gerard Butler) era o corajoso-master, que estava a frente de um exército de homens hesitantes, quando na verdade a bravura e o destemor eram coisas que já faziam parte da alma de um espartano, que estava pronto para enfrentar qualquer tipo de desafio que viesse, disposto a morrer antes de se entregar. Não eram 300 soldados obedecendo à s ordens de um rei, mas sim 300 bravos homens, que estavam dispostos a morrer lutando para defender a sua pátria. Mas vamos tomar isso como uma licença poética, para dar mais vigor e conflito à trama.

E eu não seria uma boa Brasileira se não falasse do big-vilão Xerxes, interpretado pelo froxo e queridinho da mídia Rodrigo Santoro. Vou dizer uma coisa que me deixou passada em relação a 300: toda a mídia deste país está mais preocupada em divulgar o filme pelo fato do Rodrigo Santoro aparecer, do que pelo filme ser incrível. Péssimo… Nada tem isso de patriótico. Claro que devemos ficar felizes e valorizar a prata da casa, mas não é porque o filme conta com ele no elenco que passa, automaticamente, a ser bom.




Eu sou fã do Santoro desde priscas eras, acho ele um ator maravilhoso, muito estudioso e dedicado, que está colhendo os frutos de seu excelente trabalho, mas dispenso todas as babações de ovo que os Brasileiros, em geral, têm feito. Acho que ele não precisa disso, porque tem consciência de seu trabalho e o reconhecimento de quem realmente importa. Tanto que, poucos sabem, ele havia se inscrito para o teste do papel de um dos 300 soldados, mas se destacou tanto que o diretor Zack Snyder achou que ele daria um excelente Xerxes. E posso dizer que ele estava coberto de razão, porque ator está mesmo ótimo no seu papel, embora com a voz totalmente modificada por computador, para adquirir o tom “doce e forte como o trovão” tão frisado por Frank Miller na graphic novel.

Acho que não resta dúvidas pra ninguém, mas nunca é demais falar: Judão RECOMENDA! Eu, como espectadora e historiadora, afirmo que 300 merece muito ser visto por todos vocês.

Comentários
Já são 18 sobre esse post -- até agora

  Tiago

Não lembro de nenhuma cena em que um dos 300 soldados parecem hesitantes! Ao contrário, parecem dispostos a lutar, como o filho do capitão! E também o soldado com o olho ferido, que queria ficar até o fim!

E do pouquíssimo que conheço de história, se comparado a uma pessoa que estudou História, apesar de toda a “igualdade” que a mulher espartana possuía, não sei se chegaria a ter uma participação política tão importante como a do filme (se não me engano, acho que na graphic novel original também não tem isso). Mas aí sim se aplicaria a licença poética! ;)

29 de março de 2007 às 20h52
  Tayra

Não que eles pareçam hesitantes, mas na hora que o Leônidas sabe da traição, ele brada que espartanos não se rendem e blá-blá-blá, como se preciso fosse. Uma cena dessa jamais ocorreria, pois os espartanos seriam os primeiro a se botar de frente pro pau, e não precisavam de um rei pra fazer isso por eles — foi isso que eu quis dizer.

Na graphic novel nem são citadas as mulheres, e se você pesquisar um pouco a história de Esparta verá que a mulher tem sim um papel muito importante na sociedade espartana, uma vez que os homens estavam sempre à disposição do Estado pra guerrear, elas eram preparadas para assumir as rédeas no lugar deles.

29 de março de 2007 às 21h23
  Matheus F.

Vou ler essa resenha amanhã, depois que assitir ao filme ;)

30 de março de 2007 às 1h38
  Mauro Bolão

Acabei de assistir ao filme e estava doido para escrever minha opinião sobre este filme aqui no Judão…. mas assim como a Tayra que ficou triste por dar apenas oitô asteriscos eu fico triste por não conseguir encontrar oitô palavras que possam descrever a grandiosidade do filme. Simplesmente embasbacante!!!!

30 de março de 2007 às 2h10
  kdu

O filme é simplesmente fantástico. De todos os ângulos e pretensões!

31 de março de 2007 às 0h45
  Rodrigo Ghedin » This is Sparta!

[...] Gerard Butler simplesmente destrói interpretando Leônidas. Seu vigor, seus berros entusiasmantes e poderosos, criam uma espécie de aura mítica acerca da personagem. E falando em atores e coisas do tipo, Rodrigo Santoro está lá, mais estranho do que nunca. A menos que Butler seja muito baixinho, o brasileiro foi esticado, pois parecia ter uns três metros de altura. Sua voz, também, é deveras estranha. Cheguei a formular uma teoria de que ele foi dublado no filme, mas logo depois, lendo uma das críticas do Judão (que, aliás, fez um especial completíssimo do filme), descobri que a voz do brasuca foi modificada digitalmente, a fim de ter o tom “doce e forte como o trovão” que a HQ diz ter. Enfim, ele fala bastante, tem participação ativa, e até cumpre bem seu papel. Todavia, não sei se por implicância minha, ou se por ele ser ruim mesmo, sempre que o via na tela tinha aquela sensação de estar vendo novela das oito. [...]

31 de março de 2007 às 9h02
  Alucard

Assisti o filme hj.
O filme é maravilhoso. mas peca numa coisa. como q em uma batalha daquelas voa sangue para todos os lados e os espartas nao ficam sujos de sangue?

31 de março de 2007 às 16h07
  batutas

Sou historiador tbm e concordo com a colega….

Coloco ainda uma observação com relação a incluir akele “politico” espartano. em esparta nao existia a politica na acepção ateniense da palavra….era uma sociedade oligarquica, sendo q o rei estava submetido a gerusia ( conselho de velhos) e nao a politicos…….akele Theron nao somente se tornou uma aberração no filme como uma aberração historica e conceitual…

fora isso nota 10 ! ! ! ! !

31 de março de 2007 às 20h19
  Rodolfo Conceição

O filme é realmente maravilhoso!

E quanto ao que você falou sobre achar que os 300 se mostraram hesitantes no filme, eu não concordo. Acho que em nenhum momento eles se mostraram com medo ou qualquer coisa do tipo.

Com certeza, foi um dos filmes mais bonitos que eu já vi em toda minha vida!

1 de abril de 2007 às 12h44
  Marco

Assisti o filme hoje e achei ótimo. Mas um coisa me ocorreu… teria Tayra dormido no cinema?
Justamente as duas ressalvas que ela fez ao filme não fazem sentido:
1) Leônidas comandava um exército de homens hesitantes? Definitivamente não. Em nenhum momento. Todos os espartanos eram tão loucos quanto Leônidas e em nenhum momento hesitaram. Os únicos hesitantes eram os aliados arcádios.
2) O espanto do conselho com a rainha não foi tão focado assim na traição e no ato sexual em si. O maior espanto foi dela ter sido acusada de vender seu corpo por interesses próprios, coisa que, por mais liberal que seja a sociedade em relação a mulher, vai ser sempre um choque, ainda mais quando estamos falando de uma rainha.
Tirando essa pisada na bola, a crítica foi boa. O filme é realmente ótimo.

1 de abril de 2007 às 17h58
  Tayra

Levando em conta que pelo menos o Batutas me entendeu eu já fico feliz…

Não quis dizer que os 300 eram hesitantes, e sim que na hora que o Leônidas descobre da traição ele fala como se apenas ele estivesse disposto a não desistir, como se isso pudesse estar passando pela cabeça dos caras. Ele não era o único fodão, mas sim um fodão junto de 300 outros. Pelos relatos que se tem da história real, Leônidas reuniu toda a tropa (os espartanos e aliados) e liberou quem quisesse desertar, pois a derrota era óbvia, e os 300 disseram: “tivemos ordem de proteger essa passagem”. Nesse ponto que eu achei que o filme foi mais louvador ao Leônidas do que à bravura dos 300.

E o lance da rainha é todo surreal, eu já citei, o Batutas complementou. Mas uma cena daquela poderia até ter acontecido em Atenas, mas, nunca, jamais em Esparta. Não há como vocês dizerem que eu estava equivocada, ela deixa claro que Leônidas estava disposto a ceder a vida pela liberdade de todos, como se aquilo fosse um ato de bravura isolado e que todos os outros espartanos estivessem fugindo da raia, sendo que o contingente espartano só não era maior porque estavam numa espécie de “feriado sagrado”. Do contrário. Toda Esparta estaria lutando contra os persas, uma vez que aquilo fazia parte dos valores daquela sociedade e independia da opinião do conselho. O filme faz parecer que o tal Theron era um traidor, comprado por Xerxes, que conseguiu manipular o conselho para que Leônidas lutasse com poucos e assim fosse vencido.

Espero ter me feito um pouco mais clara, e se não consegui, vocês deviam ler o especial inteiro, entender um pouquinho mais sobre como funcionava a sociedade espartana, para então perceberem com mais clareza o que eu estou tentando dizer. =D

2 de abril de 2007 às 0h52
  Birimbeto

Tô em Cuiabá, assisti o filme na estréia, e só posso dizer uma coisa: FOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOODAAAAAAAAAAAAAAA!!!
Alguém duvidava? Que o Snyder venha agora com Watchmen!!!

4 de abril de 2007 às 0h15
  Takashudo

BRAVO!! BRAVÍSSIMO! FILME DO ANO!!!

4 de abril de 2007 às 17h07
  Danilo

Como sempre, a Tayra dá sua opinião como se fosse a dona da verdade!!! O fato do Leônidas ser mostrado como o valentão, a frente dos outros, não quer dizer que ele era superior em bravura quanto aos outros… ele era superior no fato de ser o Rei, e assim estar a frente daquele exército, e a figura do soldado espartano e todos os seus valores foram representados num só personagem de uma forma mais forte. Os espartanos eram seres humanos, possuiam também seus receios, apesar destes serem enfraquecidos por seus treinamentos e tudo mais… quando mostra Leônidas dando uma “palestra” antes ou mesmo durante a luta, ele só está fazendo o papel de lider, como qualquer comandante de um exercito faria!!! Leônidas é o personagem principal do filme, apesar do filme se chamar 300…

5 de abril de 2007 às 13h35
  Borbs

Shiloh do céu… Alguém quer fazer o favor de deixar a gente ter nossas opiniões?!
Ela pensa assim, DEIXA ELA! Mas que CATZO! É por essas que eu tenho vontade de fechar esses comentários. Tem leitor que não lê o texto e diz que dizemos mentiras; outros dizem que uma opinião é como se fosse dona da verdade… Ela apenas tem uma opinião diferente — da qual eu tb não concordo. Mas foi o que ELA sentiu com o filme. Isso é proibido?

Get a life.

5 de abril de 2007 às 13h40
  Tayra

Pois é, é foda…

Danilo, eu não sou dona da verdade, mas sou dona da MINHA verdade, que pode ser diferente da sua, e nem por isso é menos ou mais verdadeira.

Mas me coloco aqui no papel de uma historiadora que viu “defeitos” históricos no filme, e quem nem por isso fazem de 300 um filme ruim.Embora você esteja vendo esse como apenas um filme, onde o Leônidas é o mocinho, vale lembrar que essa é uma história real, e como eu já disse no comentário acima e no próprio texto que fiz sobre a Batalha de Termópilas, esse blá-blá-blá do Leônidas dizer à tropa “somos espartanos e espartanos não desistem” além de ser totalmente desnecessário pela própria formação do espartano, não aconteceu. Muito pelo contrário, ele, como ser humano, ciente da derrota que viria, liberou quem quisesse desertar, e os próprios 300 dizeram: “tivemos ordem de proteger essa passagem”.

Baseada na história real, será que você me dá o direito de achar que no filme há uma apelação para tornar Leônidas como O herói que não mede esforços, e que por ser rei “força” seus homens a seguí-lo??? Posso continuar achando isso ou você vai querer me bater por minha opinião ser diferente da sua?

6 de abril de 2007 às 14h22
  Adriano

O filme é ótimo, um dos melhores mesmo. O Santoro desempenhou bem o papel dele, mas convenhamos, foi mais um papel secundário. O Xerxes foi beeeeeeeeeem pouco explorado no filme.

Mas eu sou mais um dos que engrossa a fileira dos que acham que a Tayra viajou com a palavra “hesitantes” ao se referir aos 300 de Esparta. Um pouco de exagero.

Teve o espartano que perdeu um olho e quis ficar. Fora a história do “Estou feliz em morrer desse jeito, a seu lado” e daquela de ter “um no meio de tantos que dê conta do recado”. No meio de tantas passagens dizendo o contrário, ela se prende a uma única pra fazer esse comentário que pra mim foi sem propósito…

Quanto à posição da mulher na sociedade espartana, no início do filme já ficou claro a importância da mulher depois daquela carcada que o Leônidas deu no mensageiro do Xerxes quando ele reclamou da rainha dando palpite. Enfim, por mais que as mulheres tivessem sua importância elas não tinham os mesmos papéis do homem (tanto que não tinha nenhuma lá no meio da porrada – não que os homens fossem melhores por isso, quero dizer apenas que eram papéis diferentes). Levando em conta que é um filme de ficção, e que a História nem é tão precisa, a licença poética foi aceitável até.

No geral, a resenha da Tayra foi boa e o filme foi excelente. O que não entra na minha cabeça é a contradição do Judão de querer ter opinião própria e reclamar dos comentários aqui das pessoas que têm uma opinião diferente. CATZO, por acaso discordar ofende? :P

7 de abril de 2007 às 20h18
  Borbs

@ Adriano

Discordar é óbvio que pode. O que não pode é partir pro pessoal, dizendo que só pq achamos uma coisa somos “donos da verdade” e por aí vai. Isso já ultrapassa o limite do “simples” não-concordar… =]

7 de abril de 2007 às 20h27
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