
É mais complicado fazer uma crítica de um filme bom do que de um filme ruim. É verdade! Quando um filme é ruim, você pode apontar milhões de motivos, incluindo aí até alguns inventados. E olha que nem estou contando com variantes como dias em que o crítico acorda de mal com a vida ou com o mal gosto do indivíduo. Acontece. O problema é que são justamente as críticas dos filmes ruins as mais divertidas — as escritas pelo Zarko, então, são puro entretenimento. :-)
Quando o filme é bom, você dá aquela puxada de saco básica no diretor, no roteirista, no produtor, no tiozinho que fez a faxina no estúdio, comenta as referências, algumas cenas, preenche algumas linhas sobre como esse filme lembra outro filme ou uma situação da infância, e beleza.
Mas e quando o filme é maravilhoso, que te encanta do início ao fim? Quando cada fotograma é feito pura magia, tanta magia que você em nenhum momento lembra o que é um fotograma? Daqueles em que te faz voltar à infância? Daqueles que não deixa você pensar, apenas sentir, ser levado pela maré.
O Fábio Yabu conseguiu resumir bem ao falar em seu blog que a mais nova obra-prima da Pixar, Wall-E, “é um filme de Amor. (…) Como todo apaixonado, não vi defeitos. Nem quero.” E é exatamente esse o problema que enfrento ao escrever essa crítica, que já deixou de ser crítica faz tempo, lá no primeiro parágrafo.
Eu poderia ficar aqui horas falando da belíssima direção de arte, da trilha sonora espetacular, do roteiro muito bem escrito e da mensagem que o diretor e roteirista Andrew Stanton quis passar, das referências, citando nome dos desenhistas, animadores, modeladores, e de como a Disney e a Pixar vão fazer toneladas de dinheiros com esse filme… Tudo isso é chover no molhado. Eu poderia dizer tudo isso, mas como pensar nesses tão importantes detalhes, se a única coisa que me vêm à mente é o robozinho Wall-E, repetindo seu nome como se fosse um pokémon, apaixonar-se perdidamente por EVE — uma robozinha que veio do espaço com um objetivo muito claro, e que não vou dizer aqui, claro, para não estragar a história — e que fará de tudo para ficar ao lado dela? Uma história de Amor, lembra? E todo o resto perde sentido.
Wall-E é mais uma prova de que animação não é gênero, e sim mais uma ferramenta de se contar histórias. Melhor filme do ano? Coé! É um dos melhores filmes de todos os tempos!
…E você ainda está aqui, lendo esse projeto de crítica, e ainda não foi ao cinema? Problema seu! :-)
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Wall-E (Wall-E, EUA 2008) Direção: Andrew Stanton Roteiro: Andrew Stanton Elenco: Fred Willard, Jeff Garlin, Ben Burtt, Sigourney Weaver, John Ratzenberger, Kathy Najimy Site Oficial: Disney.com.br/WallE Nota do JUDÃO [ratings] |
