Jogos Mortais é o grande exemplo de uma cinessérie na qual alcançam uma fórmula de sucesso e, depois, espremem dela até a última gota (de sangue, no caso). Tanto é que, em 2010, vimos a estreia de Jogos Mortais 3D, o sétimo filme da franquia em sete anos. Até por isso, causa surpresa saber que precisaram de seis anos para lançar o primeiro game baseado na série, chamado simplesmente Saw, que saiu apenas em 2009 por conta de problemas e atrasos na produção. Pra justamente tirar esse atraso, foi lançado agora em outubro a continuação do jogo, chamada Saw II – Flesh & Blood, que está disponível para PlayStation 3 e Xbox 360, sendo deste último a versão usada para este review. ;)
Como já ficou claro, Saw II não é uma adaptação do filme Jogos Mortais II, como uma pessoa desavisada poderia imaginar. Na realidade, o game se passa entre o segundo e o terceiro filmes da franquia, em uma história independente. No game, o jogador começa controlando Campbell Iman, um drogado que é capturado e torturado pelo vilão Jigsaw. Esta primeira parte é bem rápida, ajudando o jogador a se familiarizar com o gameplay. Logo no começo, Jigsaw nos deixa com uma escolha relacionada ao futuro de Campbell e, dependendo da decisão do jogador, já fica definido o final de Saw II.
Depois do final da primeira parte, passamos a controlar Michael Tapp, que acaba de descobrir que seu pai, o detetive David Tapp (protagonista do primeiro filme de Jogos Mortais e do jogo Saw) cometeu suicídio. Em seguida, Jigsaw também seqüestra Michael, levando-o para um jogo de torturas e de pistas sobre a morte de seu pai. O objetivo de Saw II passa a ser não só sobreviver, mas descobrir o que aconteceu com David Tapp.
Gameplay
Por conta do próprio universo de Jogos Mortais, Saw II (assim como o game anterior) foi desenvolvido no estilo “survival horror”, além de ser em terceira pessoa. Isso traz uma série de acertos, já que um fã de Jogos Mortais espera que o game traga situações parecidas com os filmes e não se torne uma pancadaria pura e simples. Por conta dessa escolha, o Saw II se torna uma série de puzzles, situações nos quais o jogador tem que quebrar a cabeça para avançar. E isso é bem interessante.
Entre os puzzles mais comuns estão sobreviver a ataques ao abrir portas, passar por pisos que te eletrocutam ao colocar os pés no lugar errado, abrir cadeados, encontrar senhas de portas, sobreviver ao ataque de outros capturados por Jigsaw, entre outros. No entanto, os mais divertidos são aqueles que te fazem circular pelo cenário para encontrar saídas ou chaves.

Uma luta durante o jogo
Porém, o maior acerto também é o maior problema. Ao trabalhar excessivamente a parte do survival horror, a ação foi deixada completamente de lado. Assim, quando temos um bastão em mãos, por exemplo, não podemos bater diretamente em nosso adversário. É necessário esperar um movimento específico do “vilão” para pressionar o botão correto e, aí sim, atacar. Poderiam ter simplificado esta parte, já que é frustrante ter uma arma e não saber como utilizá-la.
Mesmo assim, as lutas não são o ponto mais irritante. O que mais atrapalha é quando o personagem deve passar por “pontes” estreitas dentro do cenário. A mecânica para se equilibrar e andar, que pede o uso do direcional e dos botões LT e RT (L2 e R2 no PS3), é muito difícil e você morre várias vezes até conseguir passar pelo trecho. E isso se torna ainda mais complicado no final do primeiro trecho do jogo, quando Campbell precisa passar por uma ponte para alcançar o seu objetivo. Se você morre, o game já pula para a parte seguinte, com a presença de Michael Tapp, e salva o chekpoint. Ou seja, você só tem uma chance de passar em um trecho dificílimo que terá um grande impacto no final de Saw II.
Calma, ainda há um problema pior. O game consegue ser extremamente pobre em save points. Isso faz com que jogar Saw II se torna uma tarefa para quando tivermos bastante tempo sobrando, pois parar antes de um save point significa ter que, depois, jogar novamente um bom trecho do jogo.
Ao menos a mecânica de terceira pessoa está bem trabalhada, sendo possível movimentar a câmera em qualquer direção. Isso é ótimo se lembrarmos o quanto é importante verificar todos os cenários.

Um dos poucos momentos de muito sangue
Gráficos
Infelizmente, os gráficos de Saw II não estão tão polidos quanto deveriam, ao menos na versão de Xbox 360 utilizada para este review. Há também falhas aqui e ali. E olha que não sou um gamer chato, como comentei na análise de Castlevania: Lords of Shadow.
Os gráficos não tão bons não atrapalham tanto quanto o fato de terem cenários excessivamente escuros. Há pontos que isso traz uma dificuldade maior do que o esperado. E olha que minha TV LCD da Philips até que possui um bom contraste.
Concluindo…
Com todos os erros e acertos, Saw II – Flesh & Blood é um jogo interessante para os fãs da franquia ou para quem curte o estilo survival horror. Porém, se você quer mais ação ou um game mais movimentado, Saw II não deve cair no seu gosto, já que este é para quem quer quebrar a cabeça. O que deve irritar a todos – até os fãs da franquia – é a falta de save points. Afinal, ninguém merece ficar acordado até altas horas por não conseguir salvar um jogo…
