Como todo o respeito às mulheres que posam para a Playboy, ser “qualquer uma” é mais do que fácil. Ninguém precisa saber o nome, ninguém precisa saber o que faz — basta ser bonita, ter uma bunda linda e pronto, tá na capa da revista, seja no Brasil, nos EUA, em qualquer lugar.

Ainda tem aquela coisa de Photoshop, do airbrush, que deixa qualquer ensaio extremamente artificial. Tem gente que gosta da ilusão que isso passa, ou sei lá, as vezes tem gente que acredita. Eu prefiro enxergar a Playboy, ou qualquer ensaio ~sensual~, de um jeito mais humano, em todos os sentidos. Exemplos? Luana Piovani na Trip e Bárbara Evans na Playboy, as duas de Dezembro do ano passado. Tem ainda a Mayra Dias Gomes na Sexy, em 2010. Compare qualquer um desses com a Adriane Galisteu de volta à Playboy, no ano passado, ou ainda Lindsay Lohan.

Playboy Italia - Febbraio 2012

Aí então a Playboy Italiana chega com os pés no peito de qualquer um que tenha uma ideia sobre a revista e faz algo que eu, pelo menos, nunca tinha pensado — e que me parece tão obvio: mulheres nuas sim, mas no recheio. A capa da edição 32 , de Fevereiro de 2012, tem uma arte de Milo Manara, o gênio dos quadrinhos eróticos que recentemente esteve no Brasil.

Cady, una dolce Lolita

É uma matéria de 10 páginas com ele, recheada de fotos do velhinho trabalhando e de algumas de suas ~artes. Enquanto isso, tirando a republicação de um ensaio com uma americana dos anos 70, essa edição da revista resolveu publicar apenas um ensaio de nudez.

Quem vale mais? “Cady”, essa ruiva linda aí em cima, ou uma mulher desenhada (e parecida com Alessandra Ambrósio) por Milo Manara mostrando a bunda no espelho? Independente do quão certo é ter apenas um ensaio inédito, independente da qualidade do que se vê na revista, independente do que se espera dela… Acho que, em qualquer lugar do Mundo, Manara vale mais, muito mais, do que “Cady”. Ou seja lá quem for.

Um dos comentários lá no site oficial ainda diz que só vai comprar a revista por conta dessa capa. Assim como tem gente que (como eu), só comprou a edição de Dezembro do ano passado da Playboy. Sim, a gente julga uma revista pela capa. A gente objetifica uma mulher, num ensaio sensual. Mas, no fim, a gente só quer ver o que é bonito.