quinta-feira, 26 de abril de 2007 | Atualizado em 27.04.07 às 9h01

Homem-Aranha: O Dia em que Ela Morreu


O fim de uma era para o Homem-Aranha e para os quadrinhos Related Posts with Thumbnails

Renan Martins Frade

Os anos 70 começaram controversos para o Homem-Aranha. Drogas, seis braços, mudanças na equipe criativa… Só que poucos imaginavam o que estava por vir na era Conway-Kane-Romita.

Gerry Conway, que tinha 19 anos quando assumiu os roteiros de The Amazing Spider-Man, era audacioso como qualquer jovem. Para o arco de histórias que se seria publicado nas edições 121 e 122 da revista, o roteirista planejou aquilo que nunca havia sido pensado até o momento: a morte de Gwen Stacy.

Gwen era praticamente a “namoradinha” de todos os fãs do Aranha. Não havia um leitor do gibi que não gostasse da personagem. Além disso, matar personagens importantes ainda era uma prática incomum, que não tinha espaço nos quadrinhos tradicionais. Stan Lee, que havia criado a personagem, estava em algum lugar na Europa e não foi ouvido antes da publicação da história. “Agora você pode entender porque nunca mais voltei para aquele continente”, afirmou The Man no San Diego Comic Con do ano passado.



A morte de Gwen Stacy!

Na história chamada “The Night When Gwen Stacy Died” (A Noite em que Gwen Stacy Morreu), Norman Osborn finalmente recobrou a memória perdida há tempos, relembrando que ele era o Duende Verde e que Peter Parker era a pessoa por trás do capuz do Homem-Aranha. Descontrolado, Osborn passa a acreditar que Parker é o responsável por sua ruína financeira e também pelo vício de drogas do filho, Harry Osborn. Ao vilão restava apenas a vingança contra o homem que fez mal a sua família.

O Duende então seqüestra Gwen Stacy, que é levada para a Ponte do Brooklyn durante a batalha épica que se segue. É aí que o vilão faz um dos seus piores atos, jogando a desacordada Gwen do alto de uma das torres da ponte. No desespero, o Aranha tenta salvar a namorada com suas teias, mas ela retorna morta ao alto da ponte.



Gwen morre. Será culpa do Homem-Aranha?

Ao ver sua amada morta, Peter passa a se culpar, achando que o fato de ter parado a queda de Gwen causou a quebra do pescoço da moça. Verdade ou não, foi essa a versão noticiada pelo Clarim Diário, que omitiu o fato que a própria queda em si pode também ter matado Gwen Stacy. Era mais uma colaboração de Jameson para a já arranha imagem do herói aracnídeo.

Tomado pela raiva, o Homem-Aranha foi atrás de Osborn para buscar vingança. Em outra grande briga, o Duende jogou o seu planador contra Parker, mas o aparato acabou por atingir o próprio vilão e matá-lo. Como não poderia deixar de ser, Peter Parker passou a se culpar por (quase) toda a vida pela morte do pai do amigo.

A história da morte de Gwen Stacy influenciou praticamente tudo que foi feito nos quadrinhos nas décadas seguintes e é hoje considerado por muitos como o fim da Era de Prata e início da Era de Bronze dos Quadrinhos. Para outros, este é o começo da chamada Era Marvel.

A morte de Gwen também foi recontada inúmeras vezes, sendo até tema central da última edição da cultuada minissérie Marvels, de Kurt Busiek e Alex Ross.



Capa de Marvels #4 & O Dia Em Que Ela Morreu

Outra conseqüência da morte de Gwen Stacy foi a maior aproximação de Peter Parker e Mary Jane. Até aquele momento, Parker via MJ apenas como uma moça fútil, que pensava mais na carreira de modelo e em festas. Como foi Mary Jane quem mais apoiou Parker naquele momento difícil, ele passou a ver a amiga de forma diferente, como nunca havia acontecido.

É claro que a história de apenas duas edições teve ainda mais conseqüências. Já com Ross Andru desenhando para The Amazing, Conway introduziu dois novos personagens na mitologia do Aranha e que estavam intimamente ligados à  história de Gwen: o Justiceiro e o Chacal.

O Chacal era, na verdade, o Dr. Miles Warren, professor da Empire State University que estava secretamente apaixonado por Gwen Stacy. Revoltado com a morte da amada, Warren passou a tramar uma vingança contra o Homem-Aranha usando aquilo que mais entendia, o DNA.

Primeiramente, Warren combinou o seu próprio DNA com o de um chacal, ganhando assim enormes poderes. Depois convocou Frank Castle, conhecido como o Justiceiro, para matar o Aranha. Essa foi a primeira aparição do herói da caveira nos quadrinhos, a qual foi um grande sucesso e motivou até uma revista própria para o personagem.



Surge o Justiceiro!

Como o Justiceiro falhou em derrotar o Aranha, o Chacal passou para o seu pior plano: através de amostras de sangue, o vilão clonou Gwen Stacy e o Homem-Aranha. Foi aí que, por motivos óbvios, ele descobriu que o herói era na verdade Peter Parker.

Pensando que era o verdadeiro Peter Parker e manipulado pelo Chacal, o clone enfrentou o original Homem-Aranha em uma batalha em que não haveria vencedores. No final, aquele que pensava ser o verdadeiro Aranha ganhou a briga, jogando o clone na chaminé de uma fábrica. O Chacal também acabou morrendo, no que se pensava ser o fim da Saga do Clone.



Surge o Justiceiro!

Dali para frente muita coisa aconteceu. Harry Osborn se transformou no segundo Duende Verde e se envolveu com Liz Allan, a Tia May sofreu um ataque cardíaco, Peter Parker se formou na faculdade e, em Julho de 1978, ele pediu Mary Jane em casamento, mas ouviu um sonoro não. As equipes criativas também mudaram constantemente, o que causou grandes variações na qualidade das histórias. Já não importava mais, pois o Homem-Aranha era o grande sucesso da Marvel Comics.

Uma curiosidade dessa época é o Aranha-Móvel, que é pouco conhecido dos fãs de hoje. Na edição 130 de The Amazing Spider-Man, uma fábrica de automóveis deu um simpático buggy ao Homem-Aranha com a idéia de promover o veículo entre o público. Infelizmente para a Corona Motors, responsável pelo carro, o Aranha nunca se preocupou com o Aranha-Móvel, que acabou controlado pelo vilão Consertador e depois destruído.



O fim do Aranha-Móvel

Antes de terminar a década de 70, o Homem-Aranha conheceu uma nova companheira: a Gata Negra, que surgiu pela primeira vez em Julho de 1979. Criada por Marv Wolfman e Keith Pollard, a heroína se tornou um personagem recorrente nas duas décadas seguintes.

Assim terminava a década de 1970 para o Amigão da Vizinhança, mas muita coisa estava por vir nos anos seguintes.

A seguir: Os anos negros!

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Comentários
Já são 23 sobre esse post -- até agora

  ssk

Po Renan.. não gostei…

A relação fãs e Gwen era muito mais intensa, vocÊ abordou muito superficialmente se prendeu a saga do chacal que, por mais importante que seja….. Não é tão intensa como a morte de Gwen..

Desculpa, mas diferente do outro artigo, esse pra mim foi fraco.

27 de abril de 2007 às 0h22
  Leo marques

Eu não posso falar qual desses personagens é mais importante na historia já que não sou muito fã de gibis, por isso mesmo estou lendo essas matérias e estou achando ótimas, muito clarar e rápida sem muita enrolação.
Párabens Ren4n
Flw!!!

27 de abril de 2007 às 0h50
  Wykthor

Não posso esperar pra ver os ânus negros

27 de abril de 2007 às 2h08
  PC

O Homem Aranha sempre foi meu herói preferido, e passei anos lendo revistas antigas que eu comprava nos sebos e aquelas reedições dos anos 90 tipo a “Teia do Aranha”, etc… e essa fase clássica era a minha predileta. Estou tendo boas lembranças com essas matérias, parece até que sou muito velho haha… E a morte da Gwen sempre me causou um nó na garganta, pois realmente ela era um personagem bem legal… eu tinha raiva do Duende Verde, que junto com o outro Duende (o Macabro) era o meu vilão preferido. Além do Lagarto, Morbius, Abutre, Mysterio, Rei do Crime… Hoje em dia já não leio nem tenho mais gibis como antes, mas se eu ver essa revista por aí num sebo (sempre foi A falta na minha coleção!) eu compro pra guardar de lembrança! E dia 4, é lógico, vou lá ver o Aranha!!

27 de abril de 2007 às 2h20
  Ren4n

ssk,

Fraco? Vê bem: eu usei 2.500 caracteres (sem espaços) para falar de uma história de apenas duas edições. Já para explicar as conseqüências da morte de Gwen, que tem efeitos até hoje e se estenderam por anos, usei 1.200 caracteres (sem espaços).
A idéia aqui nunca foi contar tudo sobre a história da Gwen Stacy, mas sim tudo sobre a história do Homem-Aranha. É MUITA coisa e vários fatos acabam omitidos ou reduzidos. Nesse texto mesmo você pode notar que mais da metade é pra falar da morte do Gwen e todo o resto para explicar oito anos de carreira do personagem.
Penso que mostrei sim a importância da morte da personagem. Ou você acha que é pouco ser considerado como o marco final de uma era?
Um dia, quem sabe, eu escrevo uma Enciclopédia Absoluta do Homem-Aranha e aí você me cobra isso, blz? hehehe

27 de abril de 2007 às 6h48
  ssk

Renan,

Me desculpa, mas você não entendeu o que eu disse.

Achei fraco o artigo “O dia em que ela morreu” pq você resumiu a classificar Gwen como “a namoradinha predileta dos fãs”… e ela era muito mais do que isso.

Acho que o mais importante da morte dela não foi própriamente os efeitos colaterais que isso gerou, mas a falta de um pedaço importante da vida do Peter.

Cara, eu já li, re-li, praticamente todas ASM, SSM, SM… possívelmente, não há nenhuma informação aqui, ou vindoura que eu não saiba, não é esse o ponto. O ponto é, o seu outro artigo ficou MUITO FODA, mas esse muito fraco.

Você não retratou nada do principal da vida/morte da Gwen… A vida dela e Peter juntos, o amor gigantesco que peter tinha por ela, achei o artigo muito superficial, porém, não ruim. Só esperava mais.

27 de abril de 2007 às 8h29
  Borbs

@Ren4n
Fica feliz pq pelo menos o SSK tá EXPLICANDO pq não gostou. =D
E eu que toda hora sou criticado “só pq sou gordo”? =DDDD

27 de abril de 2007 às 9h04
  Ren4n

Borbs,

Huahaua.. Eu tô feliz. É bom ser criticado com nível. Nem tinha lido a resposta dele também…

ssk,

Entenda que existem certas limitações de tempo-espaço, sem falar no aquecimento global… hahaha
Adoraria poder falar mais sobre ela, mas eu quis dizer que realmente não dava. Fiz o máximo que poderia. Por isso escolhi esse caminho no texto. Foi apenas uma escolha que tive que fazer, não que eu queria fazer.
Mais pra frente, quando falar da Mary Jane, foi colocar mais uns comentários sobre a Gwen para te deixar feliz, ok? =D

Logo logo vai ter o texto sobre os desenhos animados e é melhor avisar: também está superficial, até porque a idéia era apresentar cada programa e não fazer uma análise mais longa.

27 de abril de 2007 às 9h16
  Sam

Legal o artigo.

Só uma dúvida: a saga do Clone começou nos anos 70???? Pq só foram conclui-la há pouco tempo atrás (não lembro se final da década de 90, acho que é isso)…

Ren4n, pretende fazer um artigo especial sobre a saga do Clone, ou abordá-la com mais profundidade?

27 de abril de 2007 às 9h44
  ssk

Renan,

Você tá parecendo nossa funcionário público “nunca é do jeito que eu quero, e é tudo culpa dos outros”. Hehehehe Brincadeiras a parte…

Eu entendo o direcionamento do texto, mas eu, num artigo “O dia em que ela morreu” fecharia mais na Gwen.. e esqqueceria de coisas bizarras como a saga do Chacal.

@ Borbs,

Você tá foda hein, tá aprendendo o negócio mesmo…. Até A-Arca já tá copiando a estratégia dos especiais. Trabalho com jornalistas e devo admitir, você é o primeiro que conheci que “efetivamente pensa”, como gestor. O resto :S

Boa sorte aos dois e sucesso.

PS: Viu eu não sou só reclamão não!

27 de abril de 2007 às 10h11
  Sniper

Como eu não leio HQs (não porque não quero, porque não tenho acesso mesmo) acabei ficando é bem confuso. Eu achava que a MJ é que era clonada, e que o clone do HA era o Aranha Escarlate. Mas isso deve ter a ver com a Saga dos Clones dos anos 90, como disse o Sam aí em cima. Estou esperando um artigo que esclarecerá minhas dúvidas. =D

A propósito, gostei bastante desse, não tenho nada a reclamar. Só achei que talvez seria um pouco mais interessante falar mais das conseqüencias de morte dela para o Peter, pois parece que foram muitas.

27 de abril de 2007 às 10h25
  Sam

Sniper, não se espante por não entender muito bem. A saga do Clone é provavelmente um dos lances mais confusos da história dos quadrinhos.

O Aranha Escarlate foi um dos clones que achava que não era clone, e depois descobriu que era clone. Passa um tempo, o Ben Reilly (esse clone, que assumiu o papel de Aranha Escarlate) vira o Homem-Aranha, e o verdadeiro Peter Parker, achando que era um clone, se “aposenta” do uniforme vermelho.

As coisas só voltam ao normal no desfecho da saga, com o reaparecimento do Norman Osborn, a morte de Ben Reilly e o Peter reassumindo definitivamente as teias.

Captou o tamanho da confusã? =]

27 de abril de 2007 às 10h41
  Ren4n

Sam,

Digamos que essa foi a primeira Saga do Clone, que originou a segunda. Aguarde! =D
Ah, não precisa ficar contando os detalhes da mais recente, estraga a surpresa… hahaha

ssk,

Depois que ouvi falar do escurecimento global, tudo é possível.
O título dessa parte é uma referência à quarta edição de Marvels e achei que ilustrava mais essa fase. Não queria que isso deixasse implícito que este texto fala só da Gwen…
Sobre o Chacal, ele acaba sendo importante pros anos 90… Tem gente que adora a Saga do Clone, acredita? Hahah

Você falando bem do Borbs? E nem falou que ele é gordo? o_O

Sniper,

A MJ foi clonada no desenho animado dos anos 90, não nas HQs.
Já as conseqüências da morte da Gwen Stacy ainda serão sentidas nas próximas décadas, como será abordado.

27 de abril de 2007 às 11h05
  ssk

Renan,

Eu não posso falar do Borbs ser gordo, por mais que não seja, não tenho nada contra.
Agora que ele dá umas viajadas de vez em quando.. :P VOA BORBS VOA!!!

Desculpa, falha minha então se entendi “O dia em que ela morreu” como o título do artigo.

27 de abril de 2007 às 11h13
  Sam

opa, então blz. foi mals ae. hahaha

27 de abril de 2007 às 11h27
  Leo marques

BRIGA DE MULHERRRR….

27 de abril de 2007 às 13h31
  felipe

eu nao me meto em brigas dos otros…
sou um fã do aranha desde pequeno
mas dos desenhos….
nao xeguei a ler os quadrinhos por nao gostar mto
axo q o trabalho do Ren4n ta bom
pra qm nao manja mto da historia dos quadrinhos,
ENTAO, parabens pelo trabalho duro, ta valendo a pena para uns,
e rendendo discussao para outros…
eh isso ae!

27 de abril de 2007 às 15h59
  {Yusuke}

Renan eu só quero ver voce explicar a pior coisa ja feita com o aranha, a maldita e miseravel saga do clone a unica coisa boa dakela coisa eles destroem no fim, tem tambem aquela outra dos poderes totemicos que é ridicula, mais a saga do clone, devia ser preso todo mundo que feiz ela…

27 de abril de 2007 às 17h58
  Gin Guilt

A historinha da morte da Gwen Stacy e suas consequencias serviram pra fazer o 1o filme também.Eu notei isso sozinho,viu só,como eu so esperto?

PS:EU TAMBÉM SO GORDO PORRA!

27 de abril de 2007 às 18h54
  Gin Guilt

Sobre o artigo,eu gostei.Eu leio tudo que eu posso por que so um ignorante nos quadrinhos,a unica coisa que eu leio são Graphic Novels,One-Shot’s,Minisséries(Civil War,por exemplo,só acompanhei o titulo regular)e Spawn,principalmente por que são histórias menores e mais faceis de se acompanhar.Apesar disso eu conheço algumas coisinhas das mais famosas dos quadrinhos que nem li,e é em artigos como esse que eu me aprofundo nessas coisinhas famosas.

27 de abril de 2007 às 19h00
  Marcos

Bom texto, kra. Eu gostaria que vc falasse mais do vilões, se possível.

E Borbs, vc cisma que toda críitica feita contra vc é infundada… :)

28 de abril de 2007 às 19h50
  PC

Aliás, justamente, parei de ler HA justamente depois da Saga do Clone… achei muito cansativa, e o retorno do Norman Osborn me pareceu forçada (ele disse que sobreviveu, no mesmo dia da luta fatídica matou um mendigo “muito parecido” com ele, colocou o uniforme de Duende Verde no defunto pra pensarem que era ele e se mandou num sei pra onde). Sem contar que eu achava que alguns vilões novos já não tinham a graça dos antigos, como o chato do Carnificina… teve uma época em que apareceu até uma Doutora Octopus!!

3 de maio de 2007 às 23h13
  Baraka

Segunda Saga do Clone.. Tem mais depois q o Ben Reilly morre, e o Peter Parker retorna, depois de estar todo deprê? E eu q parei pq esta saga preencheu demais, tempo e dinheiro, pra no final ficar tudo com dantes…

9 de maio de 2007 às 16h32
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