Capa da edição especial

Depois de anos e anos de projetos enegociações, o encontro entre os personagens de Mauricio de Sousa e Osamu Tezuka finalmente começa a acontecer hoje, 31 de janeiro, com a chegada nas bancas de todo o Brasil do gibi Turma da Mônica Jovem #42. A revista traz um preview do que será visto no número 43, com o efetivo encontro entre os personagens. O Judão já leu e pode dizer: vale a pena. E não é pelas criações do Tesuka.

Não, não estamos diminuindo em nada o trabalho deste gênio japonês, que ditou muitas das bases do mangá moderno. O tal preview vem em uma edição especial, encartada no gibi principal, que traz o número 42 ½. Ali Tezuka é apresentado os leitores da revista, bem como suas principais criações: A Princesa e o Cavaleiro, Kimba e Astro Boy. Entre outros motivos, a publicação serve para criar uma espectativa para as próximas edições e explicar a forte relação entre Tezuka e Mauricio de Sousa, que não esconde que muitas das preceitos do quadrinista japonês influenciaram no trabalho no brasileiro.

Como um bom preview, a edição 42 ½ é bem curta, com apenas 12 páginas, ficando o suficiente para instigar os leitores para a próxima edição. Felizmente, não dá para ficar irritado com o pouco conteúdo do aguardado encontro este mês. Afinal, a história principal de Turma da Mônica Jovem #42, chamada Torneio de Games, é bem interessante.

A real capa da edição 42 ;)

Na HQ, Cebola criou uma técnica infalível – é sempre assim, né? – para vencer lutas no Supertreta Fighters – sim, você entendeu qual é a referência. Confiante, ele acredita que pode vencer um torneio do game, mas, para isso, vai precisar contar com os amigos Cascão, Do Contra, Nimbus, Xaveco e Tikara para isso.

Claro que os planos do Cebola, sejam de quando ele era criança ou adolescente, são falíveis, passíveis de apenas um grande perigo: a Mônica. Não, a Dentuça não sabe jogar videogame, mas nunca diga nunca…

(Falando na Mônica Jovem, eu precisava registrar: <3)

Por um lado, a história cai em lugares comuns, como aquele que diz que meninos gostam de videogame e meninas não. Porém, Mauricio de Sousa já me disse, em certa oportunidade, que a Turma nunca levanta bandeiras, mas sim acompanha os rumos da sociedade. Neste caso, o gibi da Turma Jovem tenta abocanhar o público mais amplo possível, sem tentar nesse tendência das gamer girls e afins. Uma amostra disso é que mesmo as expressões mais simples do mundo gamer, como fake, são explicadas ao leitor, já que se parte do pressuposto que um pré-adolescente que nunca jogou um videogame (ok, eu sei que é difícil) pode estar tendo contato com a revista.

Tudo isso pode parecer bem bobo para você, leitor judônico, mas a estratégia vem dando muito certo. As vendas estão aí para demonstrar isso. Também é fácil notar a evolução do formato, do traço e dos personagens como um todo desde a edição #0.

Além de ser um ótimo exemplo da influência de Tezuka aplicada em uma HQ ocidental (sim, mesmo com o estilo mangá, está é uma HQ ocidental), a história traz uma mensagem muito importante. Centrada em um torneio de games, a revista lida justamente com a “possível” influência negativa dos jogos (principalmente os de luta) nas crianças. De uma forma didática e acessível tanto para pais quanto filhos, os mitos são destruídos e a mais crítica de todos em relação a influência dos games, a Magali, descobre que não é bem assim que as coisas são.

Guardarei Turma da Mônica Jovem #42 com lugar de destaque na minha estante. Quando alguém – principalmente algum político ou juiz – aparecer com alguma ideia “brilhante” relacionada a proibição de games ou algo do tipo, vou emprestar a revista para essa pessoa.

Acho que aí eles vão entender. Acho…