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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Entrevistamos Alvaro Campos, um dos roteiristas de A Corporação e criador da Vilania. Além de escrever Os Buchas, Furo MTV, Furfles MTV, participar do Podcast de Cinema… =D

Ainda em Junho, no meio da empolgação pela estreia de Apenas o Fim, de Matheus Souza, a gente publicou aqui um mini-review de O Homem Qualquer Coisa, HQ escrita por ele e publicada pela Oi Quadrinhos, um projeto interessante pra caramba que publica histórias em quadrinhos independentes e DE GRAÇA na internet.
Esse projeto, patrocinado pela Oi e pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, é na verdade a “editora” Vilania Comics, uma criação de Alvaro Campos e Fernando Azevedo. Já apareceram por lá as Charges de André Dahmer, A Corporação, Capitão Joaquim, Necronauta, Painkiller e Penitente. O portal ainda disponibiliza uma sessão chamada “Arte Independente”, destinada à publicação de HQS e trabalhos gráficos criados pelos leitores do site.
Aproveitando o Halloween, a Vilania está com o concurso de Quadrinhos de Terror — do qual eu sou um dos jurados, veja você. As histórias, de no máximo três páginas, devem ser inéditas e podem ser enviadas até 20 de Novembro e serão publicadas no site. Fora que o autor ainda pode ser contratado pra escrever / ilustrar outras histórias, como aconteceu com Lorde Lobo. Pra participar, click aqui.
Eu aproveitei esse concurso (e o fato de fazer o Podcast de Cinema da MTV com ele, HÁ!) pra entrevistar rapidinho o Alvaro Campos sobre o Vilania. As idéias são boas, o futuro também. Os quadrinistas independentes tem ótimos motivos pra sem empolgar.
Confere aí!
Como surgiu o portal Oi Quadrinhos? A Vilania existia e a Oi entrou na história?
A Vilania era um sonho que pôde existir graças a pretensão da Oi de ter novos conteúdos em novas mídias. A idéia veio, na verdade, da necessidade. Como fazer HQs mais baratas e lidas por muita gente? INTERNET! Zero custo de impressão e distribuição e, com algum suor, acesso a um boa divulgação via redes sociais.
Como funciona o “YouTube” de quadrinhos independentes?
O artista nos envia um e-mail com a amostra do sue material pra arteindependente@oi.com.br. Avaliamos e, se tiver um mínimo de qualidade, tá dentro. Publicamos novas levas de HQs todo dia 25. E dentro das nossas possibilidades financeiras, quando uma delas chama muita atenção, contratamos o artista pruma HQ de destaque do portal. Foi o que aconteceu com o Lorde Lobo e o seu PENITENTE.
Agora que os “famosos”, como André Dahmer, Bento Ribeiro, Fernando Caruso, Matheus Souza e outros já deram o ar da graça, quais são os próximos planos?
Taí uma bela pergunta. A seção arte independente trouxe muitas hqs legais, de gente bacana como Lorde Lobo por exemplo. Editoras como HQM se aproximaram e há belíssimas chances da gente lançar as várias das HQs em graphic novels ano que vem. Pra gente o futuro é esse: tentar ser um MySpace pra HQs brasileiras e conseguir reunir parceiros pra também parar no impresso. Quanto aos títulos a serem lançados, temos os números 5 e 6 da Corporação, escrito por mim e desenhado pelo Jean Diaz, que desenhou Mulher Maravilha, Sonja, Highlander e que em breve vai deixar muita gente bolada ao anunciar que vai desenhar a nova HQ de um dos maiores autores gringos (eu sei quem é, mas ele não me autorizou dizer antes do anúncio oficial) e teremos também um título inédito dos consagrados Allan Alex e Olinto Gadelha, das HQs “O cabeleira” e “Chibata”, as duas melhores publicações nacionais do ano passado.
Necronauta agora está no Oi Quadrinhos. Existe a idéia de trazer outras grandes HQs nacionais e independentes para a Web?
Acho que isso não é mais opção, é necessidade. A internet é mais barata e chega a muito mais gente que o fanzine por exemplo. E o artista independente não precisaria da gente. Mas a idéia da Vilania/Oi Quadrinhos é aglutinar leitores, fazer como quem lê o Necronauta leia também a HQ de quem tá começando. Assim a gente consolida um público único que no futuro permitirá condições financeiras melhores pros artistas.
No celular, cada HQ custa 99 centavos e são no formato vídeo. Há algum plano de lançar como “app” para iPhone, por exemplo, e/ou criar outras versões do site como para PLAYSTATION 3 e PSP? Ou mesmo lançamento no formato .CBR, que alguns programas usam para ler HQs?
QUEREMOS MUITO. mas precisamos de gente pra ajudar nessa migração. Se habilita? Alguém? Material bom a gente tem, falta só tempo e conhecimento pra fazer isso.
Em 2009, com a internet sendo o que é, parece um “retrocesso”, mas existe alguma possibilidade, ou idéia, de as HQs serem publicadas?
Lógico. Não é porque queremos estimular a leitura online que não respeitamos o prazer do leitor em também ler a obra em papel. Além disso, o impresso também servirá de divulgação. Acredite ou não, muitos blogs e sites ainda tem preconceito e não enxergam a HQ digital com o mesmo peso da impressa. Qualquer HQ nacional de uma editora bunda consegue matéria. A gente tem que gastar muito latim pra ter o mesmo espaço.
Pra acabar, por enquanto: independência ou morte é o lema ou pagando bem…? =D
Antes da questão do independente ou não, há a questão da indústria nacional de HQs. Precisamos formar leitores, derrubar preconceitos e parar de dar dinheiro EXCLUSIVAMENTE pra Marvel, DCs e Mangás, não importa quão fodas elas sejam. Pra isso acontecer, independentes e grandes marcas precisam reunir forças, que é o que a gente tá tentando fazer. Quando tivermos uma mercado relevante que faça a roda girar, como temos na música por exemplo, aí sim dá pra dividir caminhos. Até lá, acho que não.
Comentários
Já são 12 sobre esse post -- até agora
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Cleber
30 de outubro de 2009 às 16h35
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V
Parece que não gostaram muito da ideia da premiação do concurso ser apenas em revistas autografadas. Realmente a premiação poderia ser melhor, né não?
31 de outubro de 2009 às 0h00
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Igor Martin
Borbs, vou deixar esse link aqui:
http://montalvomachado.com.br/blog/?p=2340
Um concurso desses não faz bem pra ninguém, e eu não achei legal ver o Judão dando apoio, já que isso é o mesmo que trabalhar de graça numa era onde todos tentam monetizar os seus talentos.
Tá repercutindo igual o caso do HSBC no flickr.
31 de outubro de 2009 às 3h24
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Luís
Eu não levantaria da cadeira pra trabalhar por um pacote de gibis.
Ridículo.
Estamos falando da Oi, e dando esmola por produção de conteúdo.
Podiam oferecer pão com mortadela no próximo concurso.
31 de outubro de 2009 às 18h22
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Montalvo Machado
O que dizer de um entrevistado que confunde “intenção” com “pretensão”, ao citar um patrocinador?
Sem se dar conta, desqualificou quem banca o próprio projeto.
Se fosse o único deslize, poderia ser apenas um engano, sem maiores consequências, mas a coisa só piora:
“como fazer HQ mais baratas… (sic)”
HQ é uma mídia barata. A mais barata das publicações. Talvez se fosse mais cara, seria melhor. Teria mais e melhores condições de criar conteúdos de qualidade, patrocínios e divulgação de verdadeiros talentos.
Mas a intenção (e pretensão) do entrevistado e de seu concurso é de promover uma corrida ao fundo do poço, em direção do zero e além.
Ele fala de “possibilidades financeiras”, mas arrebanha colaboradores a serem pagos com encalhes autografados.
E pensa estar ajudando os artistas: “Assim a gente consolida um público único que no futuro permitirá condições financeiras melhores pros artistas”.
Aos artistas que trabalham por zero, em breve ele certamente poderá pagar o dobro, ou o triplo disto.
Mas é preciso dar um desconto. Ele escreve “pruma”, “os artista”, e acredita mesmo que “falta só tempo e conhecimento” para desenvolver apps para iPhone e desenvolver outras linguagens de programação para divulgar seus produtos.
Ele não tem ideia de que TI, assim como desenho, finalização, colorização, roteiro, planejamento, divulgação, distribuição, logística, e todas as etapas da criação literária são ESPECIALIZAÇÕES, e como tal deveriam ser PAGAS EM DINHEIRO.
Ele quer um desenvolvedor de TI, linguagens e programação, e acha que basta tempo e conhecimento.
E dinheiro, meu caro? Cadê o dinheiro?
Fazendo uma HQ mais barata, de onde você acha que sairá o dinheiro para investir em tecnologia, conteúdo e mão-de-obra para a realização de seus projetos?
Até quando acha que o povo vai viver de visibilidade, divulgação e vaidade?
Ego lambido não paga as contas.
Vaidade não enche barriga.
E ainda tem a pretensão (no sentido literal da palavra) de criticar a Marvel, em uma bravata vazia sobre o que ele chama de “indústria nacional de HQ”.
Se existe “editora bunda” publicando HQ é porque o mercado está lotado de artista bunda que faz tudo de graça.
A Marvel e DC são EMPRESAS AUTO-SUSTENTÁVEIS e só conseguem ser o que são porque PAGAM os aristas em $$$, sustentando seus colaboradores e dando a possibilidade a eles que VIVAM de seu trabalho.
Que indústria nacional é essa que você diz? HQ no Brasil é uma atividade lúdica, um passatempo para quem tem tempo para passar, uma terapia ocupacional sem fins lucrativos, a não ser para as editoras, que nunca perdem um centavo no processo.
E ainda quer fazer “HQ mais barato”.
Maravilha de business plan!
Que estratégia financeira genial!
Que talento administrativo!
E vai viver de quê?
De brisa?
Vai melhorar o quê para os artistas?
Os índices de alegria, satisfação e auto-idolatria?
Artista também come, está lembrado?
Enquanto houver artista disposto a participar da maratona ao fundo do poço, as editoras seguirão publicando, faturando e achando tudo lindo, enquanto os quadrinistas do Brasil patrocinam os patrocinadores, mimam os ricos e pagam para ver seus desenhos na “grande mídia”.
“indústria nacional de HQ”, que piada.
1 de novembro de 2009 às 21h41
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BK
Brilhante e excepcional colocação que Montalvo Machado colocou no comentário acima.
Também é preciso lembrar que a turmina que a Oi está publicando, tirando o Shimamoto (que se aposentou), fazem HQ apenas para si mesmos.
JAMAIS ambicionaram a publicação oficial sob NENHUMA hipótese.
O caso do Lorde Lobo é exemplar: ele lança seu “Penitente” uma vez a cada BIÊNIO e de repente vira “material legal” prá ser exibido.
Lógico que prá ele tá tudo certo porque nem ele, nem os demais autores envolvidos, são artistas sérios, de verdade mesmo, que precisam SOBREVIVER das HQs.
É tudo uma imensa bravata, um cirquinho de fanboys fazendo marolinha com um “sucesso” que não lhes dá um centavo de NADA!
Eu já milito há ANOS dentro do fandon, denunciando a palhaçada desses caras e louvo a atitude do Montalvo, um profissional sério e coerente, que desmescarou com precisão e maestria essa escrotice podre da “indústria de HQ nacional”.
FORA COM ESSES PILANTRAS!
FORA COM A OI que financia o ego desses patetas!
E fora com essa “HQ nacional” que não passa de masturbação de fracassados, covardes e ególatras!
2 de novembro de 2009 às 16h10
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Walter Junior
2 de novembro de 2009 às 18h50
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Leo Saberto
“Antes da questão do independente ou não, há a questão da indústria nacional de HQs. Precisamos formar leitores, derrubar preconceitos e parar de dar dinheiro EXCLUSIVAMENTE pra Marvel, DCs e Mangás, não importa quão fodas elas sejam. Pra isso acontecer, independentes e grandes marcas precisam reunir forças, que é o que a gente tá tentando fazer. Quando tivermos uma mercado relevante que faça a roda girar, como temos na música por exemplo, aí sim dá pra dividir caminhos. Até lá, acho que não.”
Eles verão a cor do meu dinheiro quando fizerem quadrinho de qualidade. Não vou ficar consumindo produto nacional só pra fazer caridade.
2 de novembro de 2009 às 21h55
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Ana Zugaib
A Vilania não precisa se dar o trabalho de “divulgar” ninguém. O Blogspot, Wordpress e semelhantes já fazem isso. E não é nenhum concurso, é só entrar e postar.
Quando eu entro em um concurso, espero ganhar dinheiro por um trabalho que será USADO pela editora. Nada mais justo.
Agora, se for para dar revisitinha assinada…. Só entro se for um Action Comics numero 1, original de 1939, em excelente estado e com um comprador em vista.
5 de novembro de 2009 às 8h52
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Felix Feneon
Leo Saberto, você já leu Mesmo Delivery do Grampá? 10 pãezinhos do Fábio Moon e do Gabriel Bá?
Acho que só esses dois exemplos, de quadrinhos RECENTES, veja bem, já é algo.
5 de novembro de 2009 às 9h14
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Bruno Castro
caralho, nego gosta de bostar. com exceção dos caras que se dão bem na gringa, não conheço nenhuma iniciativa nacional foda de quadrinhos. Parabéns pros caras. E só tô lendo zé roela recalcado que nunca foi publicado em lugar nenhum. Falar do lorde lobo é esculhambação. O cara publica na raça, do próprio bolso, e é culpa dele ele não viver de quadrinhos? quadrinhos no brasil só vai dar grana se projetos como esse derem certo! fodam-se os recalcados de merda!
6 de novembro de 2009 às 0h47
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Roberto Pereira
Mimimi, lorde lobo, mimimi…
BELÍSSIMA PORCARIA!
De que adianta o cara “publicar” um gibi de 23 páginas a cada 2, 3 anos?
É que nem aquele cara que compra chuteira, meia, calção, camiseta, joelheira, bola, aluga o campinho…
E VAI JOGAR SOZINHO!
Cacete, se o cara fosse bom ele não apenas publicava: ele publicava SEMPRE, CONTINUAMENTE.
E manteria nem que fosse um site com atualizações constantes de seu (dele) trabalho!
MAS NÃÃÃÃO!
Neste país ridículo prevalece a tese do coitadismo!
Se o cara é um coitado, é enaltecido.
Se ele não tem periodicidade, é um “batalhador”.
Se não tem competência prá publicar na Panini ou na Mythos, ele é “um verdadeiro artista nacional!”
É tanta palhaçada, tá tudo tão invertido que fica fácil compreender porque vagabundo dá como prêmio revista velha!
A verdade é uma só: a HQ no Brasil só vai funcionar se, primeiro, os ilustradores de HQ pensarem empresarialmente, criando personagens comerciais sérios. E não esses plágios vagabundos do Spawn!
Segundo, tem que ter apoio de uma empresa grande e que PAGUE os caras de acordo com o retorno dos leitores!
Porque se você não paga o cara, ele desenha a merda que ele mesmo (e seus lambedores de saco) gostam e foda-se!
Enquanto isso, maurício de souza fatura verdadeiras fortunas com Turma da Mônica mangá, vendendo 500.000 exemplares por mês!
Só que entre os artistas nacionais, o que vale é “o sonho”.
Ganhar dinheiro?
Ser profissional sério?
AGRADAR O LEITOR?
De jeito nenhum!
Fora com esses fracassados!
Que fiquem nos seus fotologs e sebos, cambada de incompetentes!
19 de novembro de 2009 às 0h18
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