Penitente - Vilania Comics
Ainda em Junho, no meio da empolgação pela estreia de Apenas o Fim, de Matheus Souza, a gente publicou aqui um mini-review de O Homem Qualquer Coisa, HQ escrita por ele e publicada pela Oi Quadrinhos, um projeto interessante pra caramba que publica histórias em quadrinhos independentes e DE GRAÇA na internet.

Esse projeto, patrocinado pela Oi e pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, é na verdade a “editora” Vilania Comics, uma criação de Alvaro Campos e Fernando Azevedo. Já apareceram por lá as Charges de André Dahmer, A Corporação, Capitão Joaquim, Necronauta, Painkiller e Penitente. O portal ainda disponibiliza uma sessão chamada “Arte Independente”, destinada à publicação de HQS e trabalhos gráficos criados pelos leitores do site.

Aproveitando o Halloween, a Vilania está com o concurso de Quadrinhos de Terror — do qual eu sou um dos jurados, veja você. As histórias, de no máximo três páginas, devem ser inéditas e podem ser enviadas até 20 de Novembro e serão publicadas no site. Fora que o autor ainda pode ser contratado pra escrever / ilustrar outras histórias, como aconteceu com Lorde Lobo. Pra participar, click aqui. ;)

Eu aproveitei esse concurso (e o fato de fazer o Podcast de Cinema da MTV com ele, HÁ!) pra entrevistar rapidinho o Alvaro Campos sobre o Vilania. As idéias são boas, o futuro também. Os quadrinistas independentes tem ótimos motivos pra sem empolgar.

Confere aí!

Como surgiu o portal Oi Quadrinhos? A Vilania existia e a Oi entrou na história?

    A Vilania era um sonho que pôde existir graças a pretensão da Oi de ter novos conteúdos em novas mídias. A idéia veio, na verdade, da necessidade. Como fazer HQs mais baratas e lidas por muita gente? INTERNET! Zero custo de impressão e distribuição e, com algum suor, acesso a um boa divulgação via redes sociais.

Como funciona o “YouTube” de quadrinhos independentes?

    O artista nos envia um e-mail com a amostra do sue material pra arteindependente@oi.com.br. Avaliamos e, se tiver um mínimo de qualidade, tá dentro. Publicamos novas levas de HQs todo dia 25. E dentro das nossas possibilidades financeiras, quando uma delas chama muita atenção, contratamos o artista pruma HQ de destaque do portal. Foi o que aconteceu com o Lorde Lobo e o seu PENITENTE.

Agora que os “famosos”, como André Dahmer, Bento Ribeiro, Fernando Caruso, Matheus Souza e outros já deram o ar da graça, quais são os próximos planos?

    Taí uma bela pergunta. A seção arte independente trouxe muitas hqs legais, de gente bacana como Lorde Lobo por exemplo. Editoras como HQM se aproximaram e há belíssimas chances da gente lançar as várias das HQs em graphic novels ano que vem. Pra gente o futuro é esse: tentar ser um MySpace pra HQs brasileiras e conseguir reunir parceiros pra também parar no impresso. Quanto aos títulos a serem lançados, temos os números 5 e 6 da Corporação, escrito por mim e desenhado pelo Jean Diaz, que desenhou Mulher Maravilha, Sonja, Highlander e que em breve vai deixar muita gente bolada ao anunciar que vai desenhar a nova HQ de um dos maiores autores gringos (eu sei quem é, mas ele não me autorizou dizer antes do anúncio oficial) e teremos também um título inédito dos consagrados Allan Alex e Olinto Gadelha, das HQs “O cabeleira” e “Chibata”, as duas melhores publicações nacionais do ano passado.

Necronauta agora está no Oi Quadrinhos. Existe a idéia de trazer outras grandes HQs nacionais e independentes para a Web?

    Acho que isso não é mais opção, é necessidade. A internet é mais barata e chega a muito mais gente que o fanzine por exemplo. E o artista independente não precisaria da gente. Mas a idéia da Vilania/Oi Quadrinhos é aglutinar leitores, fazer como quem lê o Necronauta leia também a HQ de quem tá começando. Assim a gente consolida um público único que no futuro permitirá condições financeiras melhores pros artistas.

No celular, cada HQ custa 99 centavos e são no formato vídeo. Há algum plano de lançar como “app” para iPhone, por exemplo, e/ou criar outras versões do site como para PLAYSTATION 3 e PSP? Ou mesmo lançamento no formato .CBR, que alguns programas usam para ler HQs?

    QUEREMOS MUITO. mas precisamos de gente pra ajudar nessa migração. Se habilita? Alguém? Material bom a gente tem, falta só tempo e conhecimento pra fazer isso.

Em 2009, com a internet sendo o que é, parece um “retrocesso”, mas existe alguma possibilidade, ou idéia, de as HQs serem publicadas?

    Lógico. Não é porque queremos estimular a leitura online que não respeitamos o prazer do leitor em também ler a obra em papel. Além disso, o impresso também servirá de divulgação. Acredite ou não, muitos blogs e sites ainda tem preconceito e não enxergam a HQ digital com o mesmo peso da impressa. Qualquer HQ nacional de uma editora bunda consegue matéria. A gente tem que gastar muito latim pra ter o mesmo espaço.

Pra acabar, por enquanto: independência ou morte é o lema ou pagando bem…? =D

    Antes da questão do independente ou não, há a questão da indústria nacional de HQs. Precisamos formar leitores, derrubar preconceitos e parar de dar dinheiro EXCLUSIVAMENTE pra Marvel, DCs e Mangás, não importa quão fodas elas sejam. Pra isso acontecer, independentes e grandes marcas precisam reunir forças, que é o que a gente tá tentando fazer. Quando tivermos uma mercado relevante que faça a roda girar, como temos na música por exemplo, aí sim dá pra dividir caminhos. Até lá, acho que não.