Eu já fiz algumas coisas na minha vida que jamais imaginei fazer um dia. Todo mundo faz isso, é uma questão de viver, de fato. Agora, até a semana passada, eu nunca tinha feito algo que eu imaginava não fazer um dia: eu fui passar o Carnaval em Salvador. :D
Não sou desses “que odeia Carnaval”, gosto de Samba (real, de verdade, embora LOLe com os pagodões mela-cueca), tenho o CD ao vivo da Banda Eva (aquele) e tudo mais — não faço ideia de onde esteja, mas tenho. E sinceramente não tenho saco pra quem costuma gostar de uma coisa e odiar outra, como se não fosse possível gostar dos dois, ou aceitar… Ou sei lá.
Fato é que, um pouco relutante no início, aceitei o convite do Santander para que eu passasse o Carnaval na terra de Penélope Nova, no camarote do YouTube — que também era da Ivete Sangalo.
Isso tudo e o fato de ser aniversário da Tayra. Olha como eu sou legal. <3
Mas foi uma experiência, de verdade, bem interessante. Por exemplo, fiz parte das estatísticas daquilo que as pessoas comuns chamam de “caos aéreo”, com atraso no primeiro vôo e cancelamento da conexão — o que me fez sair de São Paulo, ir pra Brasília, de lá pra Aracaju e, só então, Salvador. Não tinha pique, nem vontade, nem saco, pra ir a todos os cinco dias ao tal do camarote, então deu pra aproveitar o Acarajé da Regina e da Cira, BOLINHO DE ESTUDANTE <3, Sorvetes da Ribeira e Cubana (Ribeira WINS), Praia de Plakafor, Lagoa do Abaeté e o biquini talvez um pouco largo demais da Lia.
Mas eu fui em três desses cinco dias. E gente… Qual é o sentido daquilo tudo?! :D
We are Carnaval!
Uma breve explicação pra quem não faz muita ideia de como funciona o Carnaval lá em Salvador: os trios elétricos saem de um lugar e vão até outro. Eles tem os blocos que o seguem durante todo o percurso, que demora umas sete horas. E, nesse percurso, no meio de ruas normais, há os camarotes, montados, esperando o trio elétrico passar. Por isso são trocentos trios e por isso começa tudo tão cedo.
As primeiras dúvidas sobre o “sentido” começam no fato de eu ter ficado num camarote da Ivete Sangalo, que também era do YouTube, e que tinha como convidados da transmissão ao vivo — apresentado pela Erika Mader, linda, e Thierry Figueira — pessoas como Toni Garrido e Emanuelle Araújo. Isso não é problema nenhum, mas aí vinha um trio e, invariavelmente, eles cantavam uma música da Ivete pra “homenagear”. Essa música era, 90% das vezes, “Desejo de Amar”. Durante os outros 10%, “Pequena Eva”.
Pra fazer a média com o YouTube, eles cantavam músicas com o Toni Garrido e a Emanuelle. Com o Toni Garrido, 99% era “Aonda você mora”. A outra eu esqueci. E com a Emanuellezinha, linda e simpática, era sempre “Pequena Eva”, já que ela substituiu Ivetão quando ela foi pra carreira solo.
Isso, é óbvio, sem contar a música do Carnaval 2011, “Liga da Justiça”. Se você não conhece, por favor.
Sim. O Pinguim ataca o Superman, o Coringa e o Lex Luthor a Mulher-Maravilha e aí você escolhe se quer que eles dois fujam ou fodam. As coreografias permitiam as duas interpretações… E tudo sem o Batman e outros membros famosos. MAS ENFIM!
Essa música só não foi tão tocada quanto “Direito de Amar” ali na frente, mas foi o suficiente pra decorar e não tirar da cabeça. E aí, enfim, eu faço a pergunta que não quer calar: qual é a ideia de ver artistas por poucos segundos na sua frente, cantando basicamente AS MESMAS MÚSICAS? :D
Eu ainda tava num camarote — que, no último dia, descobri que me dava acesso a uma área ULTRA VIP com bebidas e ventiladores e ar condicionado, mas mesmo assim. Eu imagino como deve ser pra quem “vai atrás do trio elétrico” pelas sete horas. Ninguém tem um repertório tão vasto assim, VAMO COMBINÁ. :D
Mas outros que passaram mais rápido, ou optaram por não fazer média com ninguém, acabaram cantando mais músicas e por aí vai. Por exemplo, quando o Asa de Águia tocou ali na frente “Quebraê” nem parecia que a Ivete tinha acabado de entrar no camarote. Todo mundo pulando e essas coisas, ASSAZ divertido. A Claudia Leitte, por sua vez, resolveu passar de costas e tomou vaia. Já a Alinne Rosa… QUE MULHER DELICIOSAMENTE GOSTOSA, PUTA QUE ME PARIU.
Gugu Dadá
Em nenhum momento que passei lá dentro fiquei com cara de cu, ou sei lá. Eu sabia onde eu tava e fiz o máximo pra “entrar” naquela cultura — ou, pelo menos, conhecê-la. Porque pra mim vale muito mais, lá, ver os malucos do “Leva Nóiz” cantando a porra da música da “Mulher-Maravilha” trocentas vezes do que esperar algumas horas pra um trio elétrico com David Guetta ou Will.I.Am.
E TINHA GENTE LÁ SÓ PRA ISSO.
Não falo dos soteropolitanos que, acredito, estavam tendo suas primeiras oportunidades de ver ambos por lá. Mas eu vi vários paulistas e cariocas comentando que o Carnaval só tava valendo por eles dois, que odiavam o axé e o caralho.
PERGUNTA: FORAM FAZER O QUE LÁ? Gastam dinheiro pra que? Isso sem contar turista anal que vai pra Salvador comer pizza, sorvete napolitano e suco de laranja…
É exatamente a mesma coisa que intercambista que vai passar um mês, um ano em outro país e só anda com Brasileiros, comprando tudo enquanto “converte pra real”. Ou quem vai viajar “pra praia” e acorda às 14h. Sabe?
Acho que todo mundo tem o direito de não gostar de acarajé, sorvete de umbu, de cajá, bolinho de estudante, suco de cupuaçú, axé e coisas desse tipo. Mas aí você não vai pra um lugar em que isso é, basicamente, a CULTURA deles.
Liga da Justiça
Outra coisa que não faz sentido nessa história é o tratamento que a prefeitura, governo, ou sei lá, dá ao Carnaval da Bahia. Não reclamo tanto do trânsito, por exemplo, isso não iria adiantar muito. Mas o cheiro de xixi nas maiores concentrações era assustador. Era NOJENTO andar por aquelas ruas, as vezes escorregadias — ALÉM de estar sempre com seguranças, que levavam o grupo ao camarote e pra van, carregando seus pertences, “just in case”.
Você pode vir com a história de que as pessoas é que mijam na rua, não o prefeito e tudo mais e eu CONCORDO que há falta de educação. Educação e até um pouco de respeito. Mas, também, os únicos banheiros químicos que eu encontrei eram BEM longe do circuito principal e numa quantidade suficiente pra gerar fila rapidinho.
Vamos combinar: você, bebeu pra caramba no trio, deu vontade de fazer sissi. Vai subir uma ladeira, andar uns 300m ou vai ali mesmo? Se bobear o cara nem aguenta chegar no banheiro… É ridículo.
E, mesmo sabendo disso, não há um caminhão pipa passando depois dos trios pra dar aquela aliviada. Sério, no quinto dia você já até se acostuma com aquele cheiro. PRA VOCÊ TER NOÇÃO!
Outra coisa que eu também não entendo porque ninguém faz nada é em relação aos fios de alta-tensão. TODO MUNDO sabe que os trios passam por ali. Custa, sei lá, aumentar a altura, encaná-los, ou colocá-los pra baixo do asfalto? Sim, custa. MAS O QUE SE GANHA NO CARNAVAL NÃO PAGA?!?
Parece que num dos dias a Daniela Mercury desceu a lenha no Prefeito por conta disso. E sobre xixi na rua, só mesmo a Regina Casé na TV… Mas o povo tava todo festando na rua, mal via TV.
…como se fosse adiantar, haha. :D
Desejo de Amar
Quantas vezes você não viu, ou ouviu falar, que o Carnaval de Salvador é uma putaria, todo mundo pega todo mundo sem precisar gastar uma sílaba e coisas desse tipo?
MENTIRA.
Durante as diversas horas que eu estive por lá, vi vários casais se pegando, sim, MAS a maioria era ou de namorados ou de casais que estavam ficando há algum tempo. Vi, sim, essas de menina passando, cara para, beija e continua. Mas não justifica todo o AUÊ que se faz em relação a isso.
Não, pelo menos, de dentro de um camarote. E eu não me veria saindo de lá pra conferir, seja como pipoca, como membro do bloco ou qualquer coisa. ;)
Parará
Eu não sei o que é que a Baiana tem, mas gosto muito. Especialmente aquelas que fazem bolinho de estudante, hehe. Mas assim… Eu não sei se um dia eu volto pro Carnaval da Bahia. Não, pelo menos, enquanto eu não ouvir que os problemas foram solucionados.
Não sei se eu volto enquanto eu precisar de seguranças pra ir pra lá e pra cá, só pra não tirarem meu iPhone, minha carteira, câmera de mim. Não enquanto eu nem sequer poder andar de chinelo pra não correr o risco de encostar naquele chão assustadoramente nojento. Não enquanto não rolar muita variedade musical… E nem tou falando de estilos. :P
Sou a favor da festa, de aproveitar, não ligo mesmo de ouvir aquelas músicas estando lá. Mas, por enquanto, prefiro passar os Carnavais dando risada e comentando escola de samba que eu vejo pela TV. BEM melhor do que passar o Carnaval reclamando do Carnaval e ficar todo empolgado pelo tal do St. Patrick’s Day, né?
Mas se me chamar pra ir pra Ribeira, pro restaurante do SENAC ou pra um Bolinho de Estudante, EU VÔ, hein? :D
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