
No final do ano passado, junto de outros vários profissionais de internet Brasileiros, que preferem ser chamados apenas e tão somente de “blogueiros”, fui convidado para participar de um workshop com a Glória Perez, autora de novelas da Globo. A idéia era ela falar com quem “manja” disso, já que há um personagem na sua mais nova obra, Caminho dos Índias, que teria um blog, faria vídeos nas Interwebs e tal.
Inicialmente, tal workshop rolaria aqui em São Paulo, mesmo, com direito a almoço pago e tudo o mais. Porém, por algum motivo não divulgado, tal workshop acabou acontecendo no Rio de Janeiro — o que significa viagem AND almoço pagos. Meu maldito medo de ponte-aérea (dos últimos acidentes de avião no Brasil, quantos deles rolaram com avião saindo ou chegando de Congonhas? Quantos indo para o Rio? Quantos com a TAM? Tá explicado) começou a tilintar na hora, mas pô, a Globo alguém tá querendo ouvir o que eu tenho pra dizer.
E lá fui eu, tremendo de medo, encarar pela primeira vez na vida, uma ponte aérea. Já fui pra Bahia, pros EUA, mas pro Rio, de avião, só tinha ido de ônibus. Leito, mas de ônibus.
A viagem, como você pode ter percebido pelo simples fato de eu estar aqui contando a história, foi tranqüila. Tirando o aperto horrível que são aquelas cadeiras, claro. Chegamos no Rio e, enquanto esperávamos as vans da Globo vir nos buscar, ficamos lá no sagüão do Santos Dummont fazendo nada. Não conhecia quase ninguém — quem eu conhecia era gostosa e uma delas já tirou fotinho pra Playboy de calcinha e sutiã, chupa — e então fiquei lá, muito mais ouvindo aquela coisa de “blog é lindo”, “blog é tudo”, “tudo é blog”, “o mundo é um grande blog”… Em certo momento eu, Rachel Juraski e Pedro Jansen, com as mesmas coisas na cabeça, nos unimos pra falar merda conversar.
Turma do fundão depois, piadas internas e uma viagem que durou mais do que SP-RJ, chegamos então ao Projac, onde rolaria tal workshop. Fomos direto para uma salinha, com ar condicionado, que tinha (na teoria) wi-fi grátis, uma TV de 52″ e duas cadeiras, tudo com tema Índia. Era ali que iria rolar a brincadeira. E rolou.
Glória Perez já tinha tudo definido na cabeça. Creio que chamar o povo pra lá foi só prá constar. Por acaso, ficamos rindo de todas essas situações e tal… Mas, por sorte, o evento não seria só isso. Não iria acabar ali.
Por algum motivo bizarro, a Globo liberou um “tour” desse povo todo pelos bastidores da novela. E é sobre isso que eu falo à partir de agora pros senhores. Ok, somos nerds e quase ninguém aqui assiste à novelas e nem sequer vai chegar perto de um capítulo de Caminho das Índias. Mas, acredite: ver como TUDO isso funciona, desde a sala de edição, maquiagem, cidade cenográfico e etc, é MUITO interessante. =D
Vamos começar então pelo começo. =D
Cidade cenográfica
Assista a dois capítulos, pelo menos, de qualquer novela. Você vai perceber que a cidade cenográfica, invariavelmente, tem uma praça e que, não importa qual for a novela, essa cidade parece com outra que você já viu. Percebeu? Pois bem, seja bem vindo à uma cidade cenográfica.
Estive na usada para a gravação de Caminho das Índias, que é uma reprodução do bairro da Lapa, no Rio. Isso, pra mim que moro em São Paulo, e nada era a mesma coisa. Só que alguns cariocas ficaram espantados com a “parecência” com aquilo que realmente existe. Perguntei à relações públicas que nos acompanhava se, por exemplo, as pichações são iguais também. SIM, são, ela me disse. A única diferença são os nomes das lojas, por motivos óbvios. Aí eu comecei a perceber onde é que eu tava.

Cada detalhe ali era impressionante. Por trás, claro, era um monte de madeira escorando, mas o cuidado que eles têm com aquilo é um absurdo. A gente, nerd, não dá exatamente valor a esse tipo de coisa pois, blé, “novela”… Mas eu, no mínimo, comecei a respeitar a produção. Respeito esse que foi oficializado quando a gente viu, em frente a uma enorme tela azul, uma parte do rio Gângis. Sabe, aquela escadaria cheio de gente lavando roupa, cremando corpos, fazendo uns rituais malucos?! Tava lá. Vazia nesse dia, mas PERFEITA.
O “boteco” da mãe do tal personagem nerd era a única “casa” aberta pra gente. E lá dentro, fora o calor absurdo, mais uma vez percebemos o cuidado com CADA detalhe. Coisinhas mínimas como aqueles galheteiros, devidamente temáticos com coisas da Índia, estavam lá.

Fiquei pensando aquelas coisas de, “Pô, se aqui é desse jeito, imagina Hollywood”. Não há comparação, eu tenho certeza disso, mas foi uma experiência que, por mais “visual” que tenha sido, eu jamais vou esquecer.
Por sorte, não parou por aí.
Estúdios
Depois de um almoço com diversas revelações sobre os bastidores de um programa da RedeTV! que incluia as palavras “garota” e “programa”, feitas por quem já trabalhou lá, a gente foi para um dos gigantescos estúdios de gravação. São 4, com 1000m² cada um. Uma novela em cada, com o “quarto” sempre sobrando para a preparação da próxima novela — repare que nunca duas novelas acabam perto uma da outra. =D
Ao entrarmos, percebi que já tinha visto aquilo diversas vezes em Vídeo-Shows da vida. Ou mesmo em Casseta & Planeta. Sabe aquela “portaria”, com porta de vidro? Então, é a porta de um dos estúdios. =D
Logo veio aquele pedido de silêncio básico, e fomos levados pelos corredores que, novamente, eu já tinha visto na TV. Uns sofazinhos com figurantes esperando a hora de aparecer, Claudia Lira na maquiagem e, dentro do estúdio propriamente dito, Juliana Paes, Nívea Maria e Osmar Prado ensaiando para uma gravação.
Tivemos de esperar alguns minutos para entrar no estúdio de verdade e, enquanto isso, tivemos acesso à sala de direção. Trocentos milhões de monitores, um diretor estressadão indo pra lá e pra cá, uma escuridão… Mais uma vez, aquela surpresa de “WOW” apareceu. Não que eu imaginasse algo pior, sei lá, mas é tudo TÃO absurdamente tecnológico, desde o monitor que mostra a imagem como ficaria em TV normal, 4:3, e widescreen, 16:9. Detalhes que qualquer um SABE que existe, mas vê-los são outros quinhentos.

Quando, enfim, liberaram a nossa entrada, eu me assustei. Imagine um imenso galpão, completamente escuro, com apenas uma “sala” acesa. Sala essa da casa da personagem da Juliana Paes, creio eu que na Índia. Foi aí uma outra surpresa: a gente vê na TV e a impressão JAMAIS é de que se trata de um “tapume” no meio de um balcão escuro, iluminado BEM fraquinho.
Isso, é claro, sem contar a Juliana Paes. O povo se matava pra tirar foto com ela, ou vê-la. Tinha gente que se preocupou em fotografar calcinhas alheias, sem muito sucesso por ser muito escuro, mas eu tinha pra mim que já tirei foto com a Rosario Dawson. Tipo, QUEM É JULIANA PAES? =D
Figurino
A outra parte interessante da visita foi na parte de figurinos da novela. São TODOS fabricados lá e ficam sempre reserva, divididos por épocas, estilos e tudo o mais. Entre os mais famosos que encontramos, tinha o da Cuca, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, e de Paquita. Tudo bem que o manequim estava no chão, sei lá porque, mas enfim. =D
É interessante ver mais esse cuidado, ver que é TUUUUDO produzido lá… Sob medida, porém, só pros protagonistas. O resto pega o que tiver por lá, adaptadozinho, e pronto. =]

Enfim
Vou assistir à essa novela? Não. Talvez lá nos últimos capítulos alguém me explique a trama toda e eu entenda a novela (é sempre assim), mas tenho coisas a mais pra fazer, tipo jogar — qualquer coisa. Mas foi uma experiência MUITO legal ter visto como uma novela “é feita”. São detalhes, coisas que a gente jamais percebe na TV, mas estão lá, no Projac, que é GIGANTESCO. A gente passou pela casa do BBB, pelo colégio da Malhação, pela Igreja cenográfica (são 3 em uma, de acordo com a necessidade da história, é só gravar de um ângulo específico)…
É uma diferença MUITO grande, já vou avisando, mas eu só compararia isso à Comic-Con. Até o dia, é claro, em que eu pisar num set de filmagens de uma produção Hollywood. Aí, muito provavelmente, eu endoido. =]
E só pra deixar constado: resolvi postar isso porque é uma coisa legal pra caramba pra contar e porque também eu notei que quase ninguém olhou por esse lado para o evento. O povo tava tão maravilhado com o fato de a Globo ter querido ouvir a gente… Legal mesmo, mas pelo amor de Shiloh, vamo buscá conteúdo, né?!
